A crise não é só de memória, CPUs ficarão mais caros devido ao foco da TSMC em priorizar o mercado de IA

A fila para receber um processador Intel de servidor na China chegou a seis meses de espera, já com a  AMD são cerca de oito ito a dez semanas para alguns modelos. E isso não é um problema essencialmente de logística, é apenas a TSMC escolhendo destinar a capacidade de produção, e você já sabe a respota: inteligência artificial. 

O panorama é simples e brutal, a TSMC, responsável por fabricar os chips mais avançados do mundo, está com a capacidade de nós avançados completamente reservada. O nó de 2nm está esgotado até o final de 2026. O CoWoS, tecnologia de empacotamento avançado que transforma um wafer de silício em um acelerador de IA funcional, já está completamente comprometida desde 2024 e continua assim.

Quando gigantes como NVIDIA e Google ficam com blocos inteiros de capacidade de produção da TSMC com seus contratos para abastecer o mercado de IA, sobra uma margem pequena para CPUs convencionais, as opções destinadas ao consumidor final. No caso do smarthpones o estado é ainda mais crítico, a redução de pedidos de wafer de nós avançados está entre 10 e 15%.

Em fevereiro, a Intel e AMD já tinham começado a notificar formalmente seus parceiros comerciais na china sobre as restrições de fornecimento de CPUs para servido. A Intel foi além: admitiu em sua chamada de resultados de janeiro que o estoque deve atingir o ponto mais baixo no primeiro trimestre de 2026, prometendo melhora somente no segundo trimestre em diante.

A MediaTek entrou no mesmo coro, quando seu CEO Rick Tsai alertou que o boom de IA está criando uma pressão estrutural na cadeia de fornecimento que vai se estender além de 2026. A empresa anunciou reajuste de preços para refletir os custos crescentes, e a ação subiu 26% só em 2026. 

No primeiro trimestre de 2026, a TSMC faturou US$ 35,6 bilhões, um recorde histórico, 35% acima do mesmo período do ano anterior. E esse salto passa pela estratégica de focar em quem está pagando mais por wafers de silício. Nesse aspecto, a prioridade são os clientes empresariais, que buscam cada vez mais chips para alimentar os supercomputadores que tracionam a IA. Até mesmo as empresas que atendem o consumidor final com seus produtos, como Intel, AMD e NVIDIA, também estão com foco absoluto na competição no mercado de IA. 

Os preços de produtos Intel para servidor na China já subiram mais de 10% em média, com variação por contrato. E há um elemento geopolítico que piora o cálculo: o Estreito de Ormuz permanece fechado depois do conflito no Oriente Médio, com Taiwan operando com reservas de GNL para apenas 11 dias. A TSMC está gastando até US$ 56 bilhões em fábricas fora de Taiwan exatamente porque essa dependência geográfica deixou de ser um risco teórico.

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