Como deixar ainda mais premium uma placa de vídeo que já era chamativa por ter duas GPUs? Que tal entregar aos compradores numa maleta de metal? Bom, foi isso que a AMD fez em 2014, com a Radeon R9 295 X2. Em abril daquele ano, quem recebeu a placa não abriu papelão, isopor ou plástico bolha. Recebeu uma maleta de alumínio de 38 cm com a placa de vídeo mais rápida do mundo naquele momento.


A maleta fazia sentido dentro da estratégia da AMD de tratar aquele produto como algo fora da curva, casando com a proposta bruta de desempenho. A R9 295 X2 reunia dois chips Hawaii, os mesmos da R9 290X, num único PCB com refrigeração líquida fechada desenvolvida em parceria com a Asetek, com bloco de cobre por GPU, bomba integrada e radiador de 120 mm. O TDP oficial era 500W. O preço oficial era insanos US$ 1.499.

A combinação de dois chips topo de linha na mesma placa colocava a Radeon R9 295 X2 numa categoria que foi sumindo do mercado. A R9 295 X2 tinha 5.632 stream processors, 8 GB de memória GDDR5, barramento duplo de 512 bits, 640 GB/s de largura de banda e 11,5 TFLOPS de poder computacional. Para fazer os dois GPUs conversarem, a AMD usou a ponte PLX PEX8747, com 48 lanes PCI Express 3.0 e 96 GB/s de banda entre os chips.
Os números de desempenho ajudavam a sustentar o garbo e elegância que a maleta definia. No benchmark 3DMark Fire Strike Performance, a AMD colocou a R9 295 X2 em 15.862 pontos, enquanto a Titan Black da NVIDIA ficou em 9.878. Em análise do Overclockers, a placa marcou 147,9 fps em Battlefield 4 em 1080p com tudo no máximo, contra 78,9 fps de uma R9 290X sozinha. Em Crysis 3, com preset Very High e 8x MSAA, foram 74,3 fps. Em Metro: Last Light, 74 fps.
Esses testes também mostram um traço que fazia diferença em 2014: o scaling de multi-GPU ainda entregava ganho visível em alguns jogos importantes. Em Battlefield 4, o avanço sobre uma R9 290X passou de 87%. Em Bioshock Infinite, a placa chegou a 152,6 fps. Em Batman: Arkham Origins, bateu 172 fps. O apelo ficava ainda mais forte em 4K. Era nessa resolução que a placa justificava sua existência, porque em 1080p as soluções single-GPU já davam conta de boa parte dos jogos, enquanto em 4K o desempenho extra dos dois chips mudava o cenário.
O consumo, porém, colocava a placa em outro patamar. O review do Overclockers mediu 636W com o sistema em stock durante o Heaven Benchmark. Com overclock, esse número foi a 688W. Quando o processador do sistema de testes, um Core i7-4930K, também foi overclockado para 4,6 GHz, o consumo total chegou a 888W. Em outras palavras, o TDP oficial de 500W contava só parte da história.
A refrigeração líquida de fábrica resolvia um problema que a própria linha R9 290 havia exposto meses antes. As placas de referência da série tinham fama de quentes e barulhentas, sobretudo em arranjos com mais de uma GPU. Na R9 295 X2, a AMD tentou virar esse jogo com o conjunto híbrido. Em testes do HotHardware, a temperatura dos GPUs não passou de 70 °C mesmo após horas de carga, com alvo térmico fixado em 75 °C.
O preço de US$ 1.499 parecia alto mesmo para o topo do mercado, mas a conta não era tão absurda quanto parecia, considerando o contexto. O PCWorld observou que duas R9 290X custavam em média US$ 1.270 naquele período. A diferença de US$ 229 cobria o projeto dual-GPU no mesmo PCB, o sistema de refrigeração líquida e a possibilidade de instalar duas R9 295 X2 no mesmo PC para formar um arranjo de quatro GPUs.
Nem toda R9 295 X2 chegava com a maleta. A XFX lançou uma Core Edition sem a maleta de metal, mas mantendo o preço em US$ 1.499.

A maleta acabou virando parte da memória do produto tanto quanto a própria placa, um elemento que reforçou o posicionamento altamente diferenciado para um modelo que sozinho já conseguia segurar essa responsabilidade de impressionar qualquer entusiasta de hardware.



