A adoção de Rust no kernel Linux deixou de ser um experimento. Para Greg Kroah-Hartman, um dos principais mantenedores do projeto, a linguagem já faz parte do futuro permanente do sistema e poderia ter evitado cerca de 80% das vulnerabilidades registradas no kernel nos últimos 25 anos.
A declaração foi feita durante uma palestra no Open Source Summit India 2026 e reflete uma mudança significativa de posição do desenvolvedor, que anos atrás era cético em relação à linguagem. Hoje, ele afirma que Rust “torna a programação divertida novamente” ao eliminar uma série de problemas comuns da programação em C, permitindo que o compilador detecte automaticamente erros antes mesmo da execução do código
Segundo Kroah-Hartman, boa parte das vulnerabilidades analisadas diariamente pela equipe do kernel está ligada a erros recorrentes, como ponteiros não verificados, esquecimentos de desbloqueio (unlock), tratamento incorreto de caminhos de erro (cleanup paths) e falhas de gerenciamento de memória. Na avaliação dele, esses problemas poderiam ser evitados graças ao modelo de propriedade (ownership) e às verificações de segurança implementadas pelo compilador de Rust.
O mantenedor ressalta, porém, que Rust não elimina todos os tipos de bugs. Os cerca de 20% restantes estariam relacionados principalmente à lógica da aplicação — problemas que dependem da implementação do algoritmo e que nenhuma linguagem consegue impedir automaticamente.
A mudança também começa a influenciar a política de desenvolvimento do kernel. Kroah-Hartman afirmou que, em determinados subsistemas, novos drivers passarão a ser aceitos apenas em Rust. Um dos exemplos citados é o Binder, mecanismo de comunicação entre processos utilizado pelo Android. O kernel já possui implementações em C e em Rust, mas a expectativa apresentada pelo mantenedor é que a versão em C seja gradualmente substituída
A aposta em Rust faz parte de um movimento mais amplo iniciado pelo projeto Linux para reduzir falhas de segurança relacionadas ao gerenciamento de memória, uma categoria que historicamente responde por uma parcela significativa das vulnerabilidades em softwares escritos em C e C++. A estratégia, no entanto, não prevê reescrever o kernel existente: a linguagem vem sendo adotada principalmente em novos componentes e drivers, convivendo com o código legado em C.
Embora a estimativa de “80%” seja uma avaliação pessoal de Kroah-Hartman baseada em sua experiência revisando vulnerabilidades do kernel, ela reforça a crescente confiança da liderança do projeto na adoção de Rust como ferramenta para reduzir erros de programação antes que eles cheguem às versões finais do Linux.
O crescimento de Rust no desenvolvimento do kernel despertou interesse de muitos programadores. Se você quer aprender a linguagem ou entender seus conceitos de segurança e gerenciamento de memória, existem livros bastante completos sobre o tema.
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