Gartner prevê que IA fará 25% do trabalho de operações de TI até 2030, mas pode aumentar falhas críticas

A inteligência artificial deve assumir sozinha um quarto do trabalho de operações de TI até 2030, mas essa transição pode vir acompanhada de um aumento expressivo nas falhas críticas dentro das empresas. A avaliação é da Gartner, que aponta um período de adaptação em que a automação poderá ampliar, e não reduzir, os riscos operacionais.

Segundo as previsões da consultoria, até 2029 cerca de 60% das empresas terão incorporado IA agêntica às suas operações. Nesse modelo, sistemas baseados em agentes deixam de apenas recomendar ações e passam a executá-las de forma autônoma em ambientes corporativos. Como consequência, a participação humana nas decisões tende a diminuir: apenas 20% das ações sugeridas por esses sistemas deverão receber aprovação humana, contra cerca de 80% em 2025.

O alerta é que essa mudança não deve ocorrer sem custos. A consultoria estima que, até 2028, 40% das organizações de infraestrutura e operações que utilizarem sistemas agênticos em larga escala poderão sofrer pelo menos uma interrupção crítica, enquanto esse índice é inferior a 1% em 2026. A principal preocupação está na velocidade com que decisões automatizadas passam a afetar ambientes complexos antes que processos de governança, monitoramento e validação estejam plenamente amadurecidos. As informações foram divulgadas pelo The Register, com base em apresentações da Gartner.

Na prática, agentes de IA podem assumir tarefas como identificar incidentes, redistribuir cargas de trabalho, reiniciar serviços ou aplicar correções automaticamente. O ganho potencial é reduzir o tempo de resposta e aliviar equipes de operações, mas qualquer erro de interpretação ou decisão inadequada também pode ser propagado em escala, afetando sistemas inteiros em poucos minutos.

Inteligência artificial no Brasil: 71% já usam para trabalho e aprendizado

A Gartner defende que a adoção da IA nas operações de TI seja acompanhada por mecanismos robustos de governança, auditoria e observabilidade. A própria consultoria prevê que o uso de ferramentas dedicadas para monitorar modelos de IA crescerá rapidamente nos próximos anos justamente para reduzir riscos relacionados a decisões automatizadas.

Outro dado divulgado pela empresa reforça a dimensão da transformação esperada: até 2030, 25% de todo o trabalho de TI deverá ser executado exclusivamente por IA, enquanto os outros 75% serão realizados por profissionais com apoio de ferramentas inteligentes. A previsão não indica necessariamente redução de empregos, mas uma mudança no perfil das atividades, com maior foco em supervisão, estratégia e governança dos sistemas autônomos.

O cenário desenhado pela Gartner sugere que o maior desafio dos próximos anos não será apenas desenvolver agentes de IA mais capazes, mas garantir que eles operem dentro de limites bem definidos antes de receber autonomia para executar ações diretamente na infraestrutura das empresas.

A adoção de agentes inteligentes deve transformar a operação das equipes de TI nos próximos anos. Para quem deseja acompanhar essa evolução, livros sobre IA, automação e DevOps ajudam a compreender os conceitos e desafios envolvidos.

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