Durante a entrega do título honorário de doutor em ciência e tecnologia da Universidade Carnegie Mellon a Jensen Huang, CEO da NVIDIA, o CEO da Intel, Lip-Bu Tan, aproveitou o momento para confirmar, em post nas redes sociais: “Intel e NVIDIA estão colaborando para desenvolver novos e empolgantes produtos!” A frase é vaga por definição, mas o contexto ao redor dela não é, e o mercado já tem um candidato concreto para o que essa parceria pode produzir: o Intel Serpent Lake.
Congratulations to my good friend Jensen Huang on being awarded an Honorary Doctorate in Science and Technology from @CarnegieMellon University for his outstanding contributions to accelerated computing and Artificial Intelligence. It was my honor to place upon him his doctoral… pic.twitter.com/WHrCHYne1q
— Lip-Bu Tan (@LipBuTan1) May 10, 2026
Rubin dentro de um chip Intel
Segundo informações circulando no setor, o Serpent Lake seria o primeiro chip desenvolvido em colaboração direta entre Intel e Nvidia. O design teria foco pesado em cargas de trabalho de IA, e o detalhe que faz qualquer entusiasta parar e prestar atenção é a tecnologia de GPU embarcada: o rumor aponta para a arquitetura Rubin, a próxima geração da Nvidia. Além disso, o chip teria suporte a memória LPDDR6, padrão ainda em adoção no mercado e que entrega largura de banda significativamente superior ao LPDDR5X atual.
Não é o primeiro sinal dessa aproximação. No final do ano passado, Intel e Nvidia anunciaram planos para combinar produtos de CPU e GPU tanto para PCs consumidores quanto para servidores de IA. Na sequência, a Nvidia formalizou uma participação financeira de US$ 5 bilhões na Intel. Mais recentemente, surgiram rumores de que futuras GPUs de IA da Nvidia, da linha Feynman, usariam a foundry da Intel para parte de seus componentes. A declaração de Lip-Bu Tan não acrescenta especificações técnicas, mas confirma que a colaboração tem peso estratégico suficiente para ser mencionada publicamente pelo CEO.
Por que a NVIDIA precisa da Intel agora
A resposta está no mapa geopolítico. A Nvidia perdeu acesso ao mercado chinês como consequência das tensões comerciais globais: o próprio Jensen Huang reconheceu que a participação da empresa na China caiu a zero. Ao mesmo tempo, a dependência quase total da TSMC para fabricação representa um risco de concentração que a empresa claramente quer endereçar. A Intel Foundry, operando em solo americano, resolve dois problemas de uma vez: diversifica a cadeia produtiva e atende à exigência do governo dos EUA, que deixou claro preferir chips fabricados domesticamente, chegando a garantir participação financeira na Intel como parte do suporte via CHIPS Act.
Do lado da Intel, a equação também fecha. Os testes com o Panther Lake indicam que a empresa voltou a produzir chips móveis com desempenho e eficiência energética competitivos. Trabalhar com a Nvidia, avaliada em US$ 5 trilhões e no centro absoluto do ciclo de IA, é uma forma de garantir relevância em um segmento onde a Intel historicamente não tinha voz.
Serpent Lake: o silício que pode redefinir o portfólio Intel
Se o rumor se confirmar, o Serpent Lake não será apenas mais um chip da Intel com gráficos integrados aprimorados, será um produto construído desde o início com a NVIDIA como parceira de arquitetura. A presença de Rubin, tecnologia de próxima geração da Nvidia, dentro de um SoC Intel com suporte a LPDDR6 colocaria o chip em uma categoria diferente dos atuais competidores no segmento de AI PC. O perfil de hardware seria diretamente voltado a NPUs e throughput de inferência, não apenas ao uso casual.



