Microsoft bate recorde de receita, mas Xbox segue em queda; entenda o contraste

A Microsoft encerrou seu ano fiscal de 2026 com resultados que, à primeira vista, parecem contraditórios. Enquanto a companhia registrou o melhor trimestre de sua história, impulsionada pela explosão da computação em nuvem e da inteligência artificial, a divisão Xbox voltou a apresentar retração tanto nas vendas de hardware quanto na receita gerada por seus serviços. Os números divulgados pela empresa mostram uma realidade curiosa: a Microsoft nunca faturou tanto, mas o negócio de games continua atravessando um período de ajustes.

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Microsoft atinge novo recorde graças à IA

No trimestre encerrado em junho, a Microsoft registrou US$ 90 bilhões em receita, crescimento de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior. O lucro líquido chegou a US$ 35,8 bilhões, alta de 31%.

Grande parte desse desempenho veio da área de nuvem. O Microsoft Cloud gerou US$ 59,3 bilhões, crescimento de 27%, enquanto o Azure avançou 43% e ultrapassou, pela primeira vez, US$ 100 bilhões em receita anualizada. A empresa também revelou que o Microsoft 365 Copilot já soma mais de 30 milhões de assinantes pagos, reforçando a estratégia baseada em inteligência artificial.

Esses resultados fizeram as ações da Microsoft subirem nas negociações após o fechamento do mercado.

Xbox continua em trajetória de queda

O cenário foi bastante diferente para a divisão Xbox.

Segundo o balanço financeiro:

  • A receita de conteúdo e serviços Xbox caiu 10%, categoria que inclui Game Pass, jogos digitais e demais serviços da plataforma;
  • Já a receita de hardware recuou 13%, refletindo a desaceleração das vendas do Xbox Series X e Xbox Series S.

Embora quedas nas vendas de consoles sejam esperadas à medida que uma geração envelhece, o desempenho da divisão chama atenção porque ocorre justamente em um momento em que a Microsoft vive uma fase extremamente positiva em praticamente todas as demais áreas de negócio.

Um ano fiscal que começou e terminou com dificuldades

O desempenho reforça uma tendência observada ao longo de todo o ano fiscal. Nos trimestres anteriores, a Microsoft já vinha reportando retrações na divisão Xbox, especialmente em conteúdo, serviços e hardware. Agora, ao encerrar o exercício de 2026, a empresa praticamente repete o cenário que marcou o início do período: crescimento robusto em IA e nuvem, mas dificuldades persistentes no segmento de jogos.

Reestruturação busca mudar os rumos da divisão

Os resultados ajudam a entender por que a Microsoft vem promovendo uma ampla reorganização da divisão Xbox. Nas últimas semanas, a empresa anunciou uma série de mudanças que incluem cortes de pessoal, reestruturação interna, revisão de projetos em desenvolvimento e ajustes na estratégia comercial do Game Pass. Também foram implementadas mudanças na política de preços dos consoles em alguns mercados, refletindo uma tentativa de adaptar o negócio às novas condições da indústria. A expectativa da companhia é que esse conjunto de medidas permita fortalecer a divisão e criar bases para um novo ciclo de crescimento nos próximos anos.

O que disse Satya Nadella

Durante a apresentação dos resultados financeiros, o CEO Satya Nadella reforçou que as mudanças implementadas na divisão Xbox fazem parte de uma estratégia de longo prazo. Segundo a empresa, a expectativa é que a reorganização permita à divisão voltar a crescer ao longo do ano fiscal de 2027, após um período marcado por ajustes estruturais.

O contraste mais evidente

O caso do Xbox ilustra como a Microsoft mudou profundamente nos últimos anos.

Durante boa parte das décadas de 1990 e 2000, Windows e Office eram os grandes motores financeiros da companhia. Hoje, a nuvem e a inteligência artificial concentram boa parte do crescimento da empresa, enquanto o Xbox representa uma fatia relativamente pequena da receita total.

Isso não significa que a Microsoft esteja abandonando o mercado de jogos. Pelo contrário: a empresa continua investindo em Game Pass, jogos próprios e novos consoles. No entanto, os números mostram que, atualmente, o desempenho financeiro da companhia depende muito mais da expansão do Azure, do Microsoft Cloud e das soluções de IA do que do sucesso comercial do Xbox.

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