Em entrevista ao site espanhol Xataka, Jaime de Jaraíz, presidente da LG Espanha há mais de vinte anos, foi direto ao explicar por que a empresa não vai abrir mão do OLED, mesmo num momento em que o MiniLED chinês ganha participação de mercado e a própria LG se prepara para lançar painéis MicroRGB.
33 milhões contra 20 mil

A comparação que De Jaraíz usa para explicar a diferença entre as tecnologias é simples e não deixa margem para relativismo: um painel MiniLED, na melhor configuração disponível, tem cerca de 20.000 lâmpadas; uma tela OLED tem 33 milhões de pixels autoiluminados. Cada pixel forma sua própria imagem de forma independente, sem depender de uma fonte de luz externa. Num painel LCD, mesmo com todas as lâmpadas apagadas, há vazamento físico de luz branca para os pixels vizinhos, o que compromete a profundidade do preto e a nitidez do contraste.
Em cenas de movimento, o problema se agrava. O painel LCD tem uma limitação física na velocidade de abertura e fechamento que cria rastros de luz visíveis, algo particularmente perceptível em transmissões de futebol. De Jaraíz é categórico: “Isso não se resolve com mais lâmpadas. É uma limitação física, como o CO₂ num motor a combustão.” Adicionar mais zonas de escurecimento local, a solução que os painéis MiniLED de alta gama adotam, atenua o problema mas não o elimina.
“O MicroRGB melhora o contraste e as cores em comparação com o MiniLED, especialmente em imagens estáticas, mas o problema de vazamento de luz persiste em movimento”, afirma Jaraiz
A hierarquia que a LG não esconde
A LG vai lançar painéis MicroRGB, o que De Jaraíz trata sem eufemismo: “Um LED sempre vai poluir a luz, mesmo que se chame MicroRGB.” O MicroRGB melhora contraste e fidelidade de cor em imagens estáticas em relação ao MiniLED, mas o vazamento de luz em movimento persiste como limitação de origem. A posição do produto dentro do portfólio é explícita: “Primeiro OLED, depois MicroRGB, depois MiniLED e, por fim, todo o resto.” O MicroRGB existe para quem busca telas acima de 85 polegadas, faixa em que o salto de preço para OLED ainda é alto o suficiente para afastar parte dos consumidores.
Sobre o argumento de brilho que Samsung e outros fabricantes usam contra o OLED, De Jaraíz contextualiza sem ignorar: numa sala com iluminação controlada, que é como a maioria dos jogos de futebol são assistidos, à noite ou com as persianas fechadas, o OLED entrega experiência superior a qualquer painel mais brilhante. “Você pode adicionar brilho artificialmente, mas não pode retirar a luz de onde ela já existe.” Com a Copa do Mundo em 2026, ele prevê crescimento de vendas entre 5% e 10% em relação a um ano típico, puxado pela faixa de 77 a 83 polegadas, que cresce com força no mercado espanhol. Para quem perguntar qual TV comprar para assistir futebol, a resposta dele é sem hesitação: OLED, série C, 77 ou 83 polegadas.



