Intel e a AMD deram início a uma série de reajustes que devem elevar o preço dos processadores em até 15% (com picos de 20% em modelos específicos) até o final de abril de 2026. O movimento, que começou no setor de servidores, agora atinge em cheio as linhas de consumo, como as famílias Intel Core e AMD Ryzen.
O culpado: a “IA Agente” e o vácuo de silício
O principal motor dessa inflação é a demanda explosiva por infraestrutura de inteligência artificial. Os grandes provedores de nuvem (Google, Amazon e Microsoft) estão absorvendo a maior parte da capacidade de produção da TSMC e da Intel Foundry para alimentar seus data centers. Esse “vácuo” de oferta reduziu drasticamente o estoque de chips para o mercado de varejo. Além disso, a produção de processadores está competindo diretamente com a de memórias HBM (necessárias para IA), que hoje consomem cerca de 70% de todo o silício de ponta global.
Os fabricantes de placas-mãe e montadoras de PCs já começaram a repassar esses custos. A ASUS, por exemplo, sinalizou reajustes que podem chegar a 30% em seus produtos acabados, citando não apenas a alta das CPUs, mas também o encarecimento de componentes de cobre e controladores analógicos. No caso da AMD, fontes do setor sugerem que a empresa planeja dois aumentos consecutivos ainda este ano: um agora no segundo trimestre e outro no terceiro, visando financiar a transição para os processos de fabricação de 2nm da TSMC.
O “novo normal” de 2026
Diferente de crises anteriores que foram passageiras, analistas de mercado preveem que os preços praticados em 2025 não retornarão. A indústria está estabelecendo um patamar de valores mais elevados para manter as margens de lucro diante da escassez de capacidade fabril. Para o consumidor brasileiro, o cenário é agravado pela volatilidade cambial e pelos custos de transporte, que também registraram alta no primeiro trimestre. A recomendação de especialistas é que usuários que ainda possuem estoque antigo em mãos antecipem compras, antes que a nova tabela de preços seja totalmente implementada nas lojas físicas e e-commerces.



