Entenda a polêmica relacionada a Gaza no Festival de Berlim

Mais de 80 atores, diretores e outros artistas que participaram do Festival de Cinema de Berlim (Berlinale), incluindo Fernando Meirelles, Tilda Swinton e Javier Bardem, assinaram uma carta aberta aos organizadores exigindo uma posição clara sobre a guerra de Israel em Gaza.

“Pedimos à Berlinale que cumpra seu dever moral e declare claramente sua oposição ao genocídio de Israel, crimes contra a humanidade e crimes de guerra contra os palestinos”, afirmou a carta, publicada na íntegra pela revista especializada Variety na terça-feira (17).

Vários especialistas em direitos humanos, acadêmicos e um inquérito da ONU afirmam que a ofensiva de Israel em Gaza equivale a um genocídio. Israel classifica as ações como autodefesa após o ataque do Hamas em outubro de 2023.

“Estamos horrorizados com o silêncio institucional da Berlinale”, dizia a carta, também assinada pelos atores Adam McKay, Alia Shawkat e Brian Cox, e pelo diretor Mike Leigh. O documento afirmou que os organizadores não atenderam às demandas para emitir uma declaração afirmando o direito dos palestinos à vida e se comprometendo a defender o direito dos artistas de se manifestarem sobre o assunto.

“Isso é o mínimo que o festival pode — e deve — fazer”, dizia a carta. O festival não respondeu imediatamente a um pedido de comentário enviado por e-mail.

Festival mais político

O Festival de Cinema de Berlim é considerado o mais político entre seus pares, Veneza e Cannes, e orgulha-se de exibir produções de comunidades sub-representadas e jovens talentos. No entanto, tem sido repetidamente criticado por ativistas pró-Palestina por não se posicionar sobre Gaza, em contraste com a postura adotada em relação à guerra na Ucrânia e à situação no Irã.

No ano passado, mais de 5 mil atores e produtores, incluindo estrelas de Hollywood, assinaram um compromisso de não trabalhar com instituições cinematográficas israelenses que considerassem cúmplices nos abusos contra palestinos. O estúdio Paramount condenou posteriormente esse compromisso.

Arundhati Roy retira-se do festival

A carta desta terça-feira também condenou declarações do presidente do júri deste ano, o diretor alemão Wim Wenders, que afirmou que cineastas deveriam ficar fora da política. A carta rebateu: “Não se pode separar uma coisa da outra”.

Os comentários de Wenders levaram a romancista indiana Arundhati Roy a se retirar do festival no início da semana. Roy, que deveria apresentar o filme de 1989 “In Which Annie Gives It Those Ones” (do qual foi roteirista), classificou os comentários de Wenders como “inadmissíveis”.

Em resposta, a diretora do festival, Tricia Tuttle, divulgou uma nota no sábado defendendo a decisão dos artistas de não comentarem questões políticas.

“As pessoas pediram liberdade de expressão na Berlinale. A liberdade de expressão está acontecendo na Berlinale”, disse.

“Mas, cada vez mais, espera-se que os cineastas respondam a qualquer pergunta que lhes seja feita”, escreveu ela, notando que eles são criticados se não respondem ou se respondem e o público “não gosta do que eles dizem”.

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