Elon Musk poderá enfrentar uma investigação criminal em Wisconsin após uma comissão eleitoral bipartidária concluir que há causa provável para considerar ilegal a distribuição de cheques de US$ 1 milhão durante a eleição para a Suprema Corte do estado, realizada em 2025. O caso foi encaminhado ao promotor do condado de Brown, que decidirá se apresenta ou não acusações formais.
Segundo a Comissão Eleitoral de Wisconsin, o problema não é apenas o valor distribuído, mas a forma como a oferta foi apresentada. A comissão concluiu que a promessa pública de pagar US$ 1 milhão a eleitores poderia configurar uma tentativa de induzir pessoas a votar, prática proibida pela legislação estadual sobre suborno eleitoral. A votação interna terminou em 5 votos a 1, reunindo apoio de membros democratas e republicanos.
O que aconteceu?
Durante a disputa pela Suprema Corte de Wisconsin, Musk e organizações ligadas a ele investiram mais de US$ 20 milhões em apoio ao candidato republicano Brad Schimel. Dias antes da votação, o empresário apareceu em um evento em Green Bay, onde entregou pessoalmente dois cheques de US$ 1 milhão. Um terceiro pagamento também foi realizado como parte da mesma iniciativa. Apesar do investimento, Schimel acabou derrotado pela candidata apoiada pelos democratas, Susan Crawford.
Além dos cheques milionários, o comitê político America PAC, apoiado por Musk, ofereceu pagamentos menores para pessoas que assinassem uma petição contra o que classificava como “juízes ativistas”. Essa estratégia já havia sido utilizada em outros estados durante a eleição presidencial de 2024, atraindo questionamentos jurídicos semelhantes.
A comissão não condenou Musk nem declarou que ele cometeu um crime. Sua decisão apenas estabelece que existem elementos suficientes para justificar uma investigação criminal.
Com o encaminhamento das reclamações ao promotor do condado de Brown, a promotoria dispõe de 40 dias para informar se pretende abrir um processo criminal. Paralelamente, segue em andamento uma ação civil movida pela Wisconsin Democracy Campaign, organização que busca impedir que Musk realize campanhas semelhantes em futuras eleições no estado
A defesa de Musk
Nos processos relacionados ao caso, os advogados de Musk sustentaram que a iniciativa está protegida pela liberdade de expressão prevista nas Constituições dos Estados Unidos e de Wisconsin. Segundo a defesa, os pagamentos buscavam incentivar apoio a determinadas posições políticas, e não comprar votos nem favorecer diretamente um candidato específico. Essa tese já havia sido apresentada sem impedir a realização dos eventos em 2025.
Embora campanhas políticas frequentemente utilizem incentivos para mobilizar eleitores, oferecer pagamentos em dinheiro diretamente vinculados à participação eleitoral é uma área sensível da legislação americana.
O detalhe que diferencia este episódio é que a própria comissão eleitoral responsável por fiscalizar o processo, composta por representantes indicados pelos dois principais partidos, concluiu haver indícios suficientes de violação da lei. Isso não significa culpa, mas aumenta o peso institucional da investigação e eleva a pressão sobre o Ministério Público para decidir se apresentará acusações formais



