Um desenvolvedor independente apresentou o Piumy, um projeto de código aberto que transforma um Raspberry Pi Zero 2 W em uma central de mensagens para WhatsApp capaz de trabalhar com diferentes agentes de inteligência artificial. Em vez de executar o modelo de IA diretamente no dispositivo, o equipamento recebe, organiza e armazena as conversas, enquanto o processamento fica a cargo de outro computador conectado pela rede.
O projeto foi divulgado no Reddit e já possui site oficial e repositório público no GitHub. Segundo o autor, o objetivo é oferecer uma alternativa auto-hospedada para quem deseja integrar o WhatsApp a modelos de IA mantendo o controle sobre os próprios dados. A proposta difere de muitas soluções comerciais porque o Raspberry Pi atua apenas como intermediário entre o WhatsApp e o agente de IA. Toda a lógica das respostas pode ser executada em máquinas com mais memória e maior poder de processamento, como um desktop ou servidor doméstico.
Piumy — a self-hosted WhatsApp assistant on a Raspberry Pi (or your PC) that your own AI runs over MCP. Open-source, with an e-paper pwnagotchi face 🦉
by
u/Chami_Sempai in
pwnagotchi
Raspberry Pi funciona como um gateway de mensagens
Segundo o desenvolvedor, o Piumy registra todas as mensagens recebidas, incluindo textos, fotografias, vídeos, figurinhas e mensagens de voz. Todo esse conteúdo é armazenado em um banco de dados local.
As informações são disponibilizadas por meio do Model Context Protocol (MCP), protocolo criado para facilitar a comunicação entre aplicações e agentes de inteligência artificial.
Na prática, isso permite que ferramentas compatíveis, como Claude Desktop, OpenCode e outras soluções que implementem MCP, tenham acesso às conversas e decidam como responder aos contatos.
O Raspberry Pi não executa o modelo de IA. Sua função é manter uma conexão permanente com o WhatsApp, organizar o histórico e encaminhar as solicitações ao agente escolhido pelo usuário.
Projeto prioriza controle das conversas
O autor afirma que um dos princípios do Piumy é evitar respostas automáticas para novos contatos.
Por padrão, qualquer conversa recebida permanece ignorada até que o usuário crie uma regra autorizando respostas para aquele chat específico. Essa configuração pode ser feita pelo painel de administração ou enviando comandos diretamente ao número associado ao dispositivo.
Outra característica destacada é o armazenamento local das mensagens.
Segundo o desenvolvedor, mesmo que uma conversa seja apagada do celular ou que o aparelho seja perdido, o histórico continua disponível no banco de dados do servidor onde o Piumy está instalado.
Compatível com Raspberry Pi e computadores convencionais
Embora tenha sido desenvolvido para funcionar em um Raspberry Pi Zero 2 W, cujo preço oficial é de aproximadamente US$ 15 (no Brasil custa cerca de R$ 109) o software também pode ser executado como um programa convencional em computadores com Windows, macOS e Linux.
Na demonstração publicada pelo autor, o hardware utiliza uma tela de tinta eletrônica (e-paper) inspirada no visual do Pwnagotchi, projeto conhecido na comunidade maker por utilizar Raspberry Pi com um personagem animado exibido continuamente na tela.
A tela mostra informações como endereço IP, intensidade do sinal da rede sem fio, nível da bateria e status da conexão
Desenvolvedor diz que projeto foi pensado para reduzir riscos de bloqueio
Na descrição do projeto, o criador afirma que o Piumy adota algumas medidas para diminuir a possibilidade de restrições por parte do WhatsApp.
Entre elas estão limites de velocidade para envio de mensagens, intervalos que simulam o comportamento humano, lista de contatos autorizados (whitelist) e um mecanismo para interromper imediatamente as respostas automáticas.
O desenvolvedor também informa que o sistema responde apenas a mensagens recebidas, evitando o envio automático de conversas iniciadas pelo próprio usuário.
Essas características são apresentadas pelo autor do projeto. O Hardware.com.br não verificou de forma independente a eficácia dessas medidas nem pode afirmar que elas eliminem o risco de restrições ao uso da plataforma.
Código aberto
O Piumy é distribuído sob a licença AGPL-3.0, permitindo que qualquer pessoa estude, modifique e hospede sua própria versão do software, desde que respeite as condições da licença.
O projeto está disponível gratuitamente no GitHub. Segundo o desenvolvedor, ele trabalha sozinho na iniciativa e afirma que doações são utilizadas para financiar a continuidade do desenvolvimento além da versão inicia



