Nem a Asha Sharma acredita mais que o futuro do Xbox depende de possuir todos os grandes estúdios independentes

Durante quase uma década, a Microsoft seguiu uma estratégia clara para fortalecer o Xbox: comprar estúdios. O plano transformou a empresa em uma das maiores proprietárias de desenvolvedoras de games do mundo, culminando em aquisições bilionárias como as da ZeniMax Media, em 2021, e da Activision Blizzard, em 2023. Agora, porém, a própria companhia reconhece que esse modelo deixou de fazer sentido. Em um comunicado publicado após a ampla reestruturação da divisão Xbox, a presidente da área, Asha Sharma, afirmou que a empresa está mudando sua forma de operar e admitiu que não é “possível, nem desejável, ser dona de todos os grandes estúdios independentes”. A declaração sintetiza uma mudança de filosofia que contrasta com a estratégia adotada desde 2018.

“Desde 2018, expandimos agressivamente nosso portfólio de estúdios, enquanto o número de jogos criados mensalmente em toda a indústria agora supera o dos últimos dez anos combinados. Agora, competimos não apenas com as maiores editoras, mas também com estúdios independentes menores. Não é possível nem desejável possuir todos os grandes estúdios independentes. Também aprendemos que não somos o melhor lugar para todos os tipos de estúdio; em um ano típico, perdemos 64 centavos para cada dólar investido. Ao reformularmos o Xbox, ajudaremos os criadores independentes a terem sucesso, fornecendo ferramentas de desenvolvimento abertas e público para que possam concretizar suas visões”, diz Asha Sharma no comunicado.

A consequência prática dessa mudança já começou a aparecer. Como parte da reorganização, a Microsoft confirmou que alguns estúdios deixarão a estrutura da Xbox Game Studios, enquanto outros poderão operar novamente como empresas independentes ou passar para novos controladores.

De comprar estúdios a reduzir a estrutura

A mudança chama atenção porque vai na direção oposta da política que marcou a gestão de Phil Spencer nos últimos anos.

Entre 2018 e 2023, a Microsoft investiu pesado para ampliar seu catálogo de desenvolvedoras. Nesse período, passaram a integrar o ecossistema Xbox estúdios como Ninja Theory, Obsidian Entertainment, Playground Games, inXile Entertainment, Double Fine Productions, Compulsion Games e Undead Labs. Depois vieram as aquisições da ZeniMax Media, que adicionou Bethesda Game Studios, id Software, Arkane Studios e MachineGames, e da Activision Blizzard, dona de franquias como Call of Duty, Diablo, Warcraft e Candy Crush.

O objetivo era claro: aumentar o número de jogos exclusivos, alimentar o catálogo do Game Pass e fortalecer o Xbox em uma disputa cada vez mais intensa com PlayStation e Nintendo.

Agora, a própria Microsoft admite que administrar uma estrutura desse tamanho deixou de ser a melhor estratégia.

Crescimento abaixo do esperado

No comunicado, Asha Sharma afirma que iniciativas como a expansão do Game Pass, a publicação de jogos em outras plataformas e a aquisição de novos estúdios criaram valor para o negócio, mas não cresceram na velocidade esperada.

Embora a executiva não divulgue números específicos, a mensagem deixa claro que o desempenho obtido não justificou a manutenção de uma estrutura tão ampla.

Esse trecho ajuda a explicar por que a Microsoft decidiu revisar sua estratégia poucos anos depois de concluir a maior aquisição da história da indústria de games.

Menos estúdios, mais eficiência

Outro ponto importante do comunicado é a justificativa operacional para a mudança.

Segundo Sharma, o Xbox acumulou uma estrutura administrativa complexa ao longo dos últimos anos, com excesso de níveis hierárquicos e áreas que cresceram mais rapidamente do que o próprio negócio. A proposta da empresa agora é simplificar a organização, reduzir custos e concentrar investimentos nas equipes consideradas mais estratégicas.

Essa lógica também explica por que algumas desenvolvedoras deixarão a Xbox Game Studios em vez de serem simplesmente encerradas.

Nos casos da Double Fine Productions e da Compulsion Games, por exemplo, a Microsoft afirma que elas voltarão a operar de forma independente, mantendo suas propriedades intelectuais e recebendo suporte para concluir seus próximos projetos. Já Ninja Theory e Undead Labs deverão passar para novos proprietários, preservando a continuidade de jogos em desenvolvimento.

“Essas mudanças visam um futuro maior para o Xbox, não um futuro menor. A próxima década dos jogos será maior, mais global e mais criativa do que qualquer coisa que já vimos. Este ano, investiremos no Xbox tanto quanto sempre investimos, mas com mais foco, mais disciplina e mais clareza, tudo para tornar o Xbox o lugar onde o mundo joga e cria”.

O Xbox entra em uma nova fase

Mais do que uma rodada de cortes, a reestruturação indica uma mudança de posicionamento.

Nos últimos anos, o crescimento do Xbox foi medido principalmente pelo número de estúdios adquiridos e pela expansão do catálogo do Game Pass. Agora, a prioridade passa a ser uma operação mais enxuta, com menos equipes internas e maior foco em eficiência.

Na prática, isso pode significar um Xbox menos interessado em ampliar continuamente sua lista de desenvolvedoras e mais disposto a trabalhar com parcerias, acordos de publicação e um portfólio concentrado nas franquias consideradas essenciais para o negócio.

Depois de anos construindo um dos maiores conglomerados da indústria, a empresa passa a defender justamente o contrário: uma estrutura menor e sustentável.

Leia mais

Variedades
Rodoviários do Rio e empresários não chegam a acordo em nova audiência
Variedades
A psicologia sugere que deixar o carro sujo por muito tempo pode parecer descuido, mas revela mais sobre estresse acumulado e desorganização
Esportes
Espanha elimina Portugal de Cristiano Ronaldo com gol nos acréscimos
Variedades
Leverkusen lança parceria com Instituto Bola pra Frente, de Jorginho
Variedades
Patrícia Poeta completa quatro anos no Encontro: entre comparações inevitáveis, turbulências e a busca por uma identidade própria
Variedades
Após eliminação do Brasil, Galvão Bueno deve narrar só a decisão da Copa pelo SBT e N Sports

Mais lidas hoje