Mulheres ganham prêmio por inclusão racial no comércio exterior

Acreditar na diversidade e na inclusão para o sucesso foi o que levou duas empresárias, no Rio de Janeiro, a vencer a 2ª edição do Prêmio de Inclusão e Diversidade Racial no Comércio Exterior. 

A premiação é parceria entre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e o Ministério da Igualdade Racial.

Sete empresas de diferentes regiões do país foram selecionadas pelo destaque na adoção de políticas e práticas voltadas para inclusão racial, diversidade e fortalecimento de profissionais negros em posições de liderança. No estado do Rio, duas empresas foram contempladas: a The Class Professional e a Dani Embalagens Plásticas. 

“Quando decidimos trabalhar com cabelos crespos e cacheados, a gente não estava só falando de cabelo. Existia ali por trás a identidade, a representatividade, a autoestima, pertencimento. Então, por muitos anos, esse público recebeu pouca atenção da indústria”, diz a cosmetóloga e terapeuta capilar, Cátia Lins.

Diretora executiva da The Class Professional, marca de produtos e capacitação voltada para cabelos com curvatura, ela conta que o negócio nasceu em 2016, a partir da dificuldade que ela própria tinha com a manutenção do próprio cabelo e às vezes precisava recorrer ao alisamento. “Então, a The Class nasce com a proposta de reunir ciência, educação, e valorizar a beleza nacional.”

Danielle Caldas, que lidera a Dani Embalagens, conta que seu pai criou uma pequena fábrica de embalagens na cozinha da garagem da avó, e essa foi a sua grande inspiração profissional. 

Rio de Janeiro (RJ), 03/07/2026 – Personagem Danielle Caldas - Mulheres lideram práticas de diversidade em empresas do Rio de Janeiro.Foto: Alexandre Barbosa/Real Studio Fotografia

Danielle Caldas diz que ponto valorizado em sua empresa é atenção a necessidade dos funcionárias. Foto: Alexandre Barbosa/Real Studio Fotografia

“Nós nunca enxergamos as pessoas pela cor da pele, gênero, idade ou origem. Sempre olhamos para o caráter, para a vontade de aprender e para o potencial de crescimento”, disse. 

“Outro orgulho que eu tenho é dizer que todos os nossos líderes começaram de baixo. Nenhum deles foi contratado para ocupar cargo de liderança. Todos cresceram internamente, foram preparados, treinados e desenvolvidos dentro da empresa”.

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Práticas 

Cátia Lins resssalta que um dos pilares do seu negócio é estimular o empreendedorismo e ajudar na criação de novas organizações. 

“O nosso modelo de negócios é baseado em três pilares: desenvolvimento de produtos, a educação profissional e a geração de oportunidade. Então, nós desenvolvemos produtos voltados para um público que historicamente foi pouco representado, mas a gente também investe fortemente em capacitação, formando profissionais de beleza.” 

Para Danielle Caldas, um ponto muito valorizado na sua empresa é a atenção às necessidades dos funcionários, e as oportunidades reais de crescimento. 

“Hoje temos igualdade de oportunidades para contratação, promoção e crescimento profissional. Programas de capacitação, desenvolvimento de lideranças, canais confidenciais para denúncias, e tolerância zero ao assédio. Tudo isso está formalizado no nosso regulamento interno e faz parte da rotina da empresa”, afirmou. 

Programa 

O resultado da premiação foi divulgado no último dia 12, e os vencedores puderam optar por uma das modalidades de premiação oferecidas pela ApexBrasil: uma agenda de negócios personalizada para o mercado internacional, ou a participação em uma promoção comercial organizada pela agência. 

O Programa Raízes Comex nasceu a partir de estudo que identificou a baixa presença de pessoas negras e mulheres em cargos de liderança nas empresas de importação e exportação. A iniciativa tem como objetivo promover a inserção desses grupos no setor. 

A ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, destacou o empenho das esferas públicas no combate à desigualdade. 

“É uma prioridade do Governo do Brasil essa atuação estruturante e transversal para um projeto de desenvolvimento econômico com justiça racial, que posicione o nosso país em melhores condições de desenvolvimento socioeconômico de forma mais justa e igualitária”, disse.  

*Estagiária sob supervisão da jornalista Mariana Tokarnia. 

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