Mistério dos chips: China já teria acesso secreto à tecnologia EUV da ASML?

Durante muitos anos, as máquinas de litografia EUV da ASML foram vistas como a barreira tecnológica mais significativa que impedia a China de avançar para as gerações de chips mais avançadas do mundo. Portanto, à medida que a Huawei e outras empresas chinesas de semicondutores demonstram continuamente sua capacidade de produzir chips cada vez mais sofisticados, uma questão começa a surgir em Washington: será que a China realmente não possui a tecnologia EUV, como se acreditava há muito tempo?

Segundo a Bloomberg, essa questão foi levantada diretamente pelo Secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, em reuniões recentes com líderes da ASML. Ele expressou preocupação com o fato de um dos sistemas de litografia EUV mais avançados da empresa já poder ter chegado à China, apesar dos controles de exportação promovidos pelos EUA há muitos anos.

Para Washington, esta não é uma questão trivial. As máquinas de litografia EUV são hoje consideradas o equipamento mais importante na produção de chips avançados para inteligência artificial, computação de alto desempenho e smartphones de última geração. Esses sistemas, aproximadamente do tamanho de um ônibus escolar, contêm centenas de milhares de componentes complexos e são fabricados exclusivamente em todo o mundo pela ASML.

No entanto, a ASML rapidamente descartou as preocupações dos EUA.

Segundo os envolvidos nas discussões, a empresa holandesa afirmou que nunca vendeu nenhum sistema EUV para a China. A empresa também declarou que transportar ou levar um sistema EUV para a China secretamente era praticamente impossível, já que os processos de instalação, manutenção e operação dependem fortemente do envolvimento direto da ASML.

Após a reunião com o Sr. Lutnick em abril, a ASML chegou a preparar e distribuir em Washington um documento intitulado “Nenhum indício de sistemas EUV da ASML na China”. De acordo com esse documento, existem atualmente 314 sistemas EUV operacionais em todo o mundo e 26 sistemas desativados, nenhum dos quais está localizado na China.

A ASML também enfatizou que as máquinas EUV permanecem continuamente conectadas à empresa durante a operação. Isso permite que a empresa detecte anomalias como perda de conexão, mudanças de localização ou operações incorretas. Segundo a empresa, os clientes não podem desmontar, transportar e reinstalar os sistemas EUV de forma independente sem a assistência da ASML.

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Apesar disso, as suspeitas por parte dos EUA não desapareceram. Alguns funcionários do governo Trump afirmaram ter informações que indicavam que a ASML havia exportado para a China alguns equipamentos especializados relacionados ao transporte ou operação de sistemas EUV. No entanto, esses funcionários se recusaram a divulgar as provas, alegando a fonte e a natureza sensível das informações.

A ASML continua a negar essas alegações. A empresa afirma que nunca exportou para a China nenhuma máquina EUV completa, nem quaisquer peças, módulos ou equipamentos especificamente projetados para sistemas EUV.

É importante notar que toda essa controvérsia está surgindo em meio ao progresso da Huawei, que vem causando crescente preocupação em Washington. Durante anos, a impossibilidade de acesso à tecnologia EUV foi vista como o maior obstáculo às ambições da China de fabricar chips avançados. No entanto, a Huawei tem demonstrado recentemente novas conquistas na área de semicondutores e até mesmo discutido abertamente sua capacidade de produzir chips sem as máquinas EUV da ASML.

Isso torna a situação muito mais complexa do que uma simples questão sobre exportações de equipamentos. Se de fato não existem sistemas EUV na China, mas empresas como a Huawei e a SMIC continuam a reduzir a diferença tecnológica com o Ocidente, Washington enfrentará outra questão difícil: se os controles de exportação, considerados a pedra angular da estratégia para conter a indústria de semicondutores da China, ainda são tão eficazes quanto o esperado.

Atualmente, não há evidências públicas de que um sistema EUV da ASML esteja operando na China. No entanto, o questionamento contínuo do governo dos EUA à fabricante de semicondutores mais importante do mundo reflete a crescente preocupação de Washington com os avanços da indústria chinesa de chips nos últimos anos.

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