Marcos Uchôa analisa por que o Brasil chega frágil ao Mundial de 2026

Às vésperas do Mundial de 2026, o décimo e último episódio da primeira temporada do podcast apresentado por Marcos Uchôa volta o olhar para o futebol, mas sem deixar de lado política, economia e bastidores de poder que cercam a competição. Gravado antes da convocação mais recente da Seleção Brasileira, o episódio analisa o momento do Brasil, o novo formato do torneio e o avanço da FIFA sobre mercados estratégicos, especialmente os Estados Unidos.

Disponível no YouTube da Rádio Tupi e nas principais plataformas de áudio, o especial “Copas do Mundo” mistura memória histórica, análises táticas e experiências acumuladas ao longo de décadas de cobertura esportiva para discutir por que o Brasil chega cercado por dúvidas ao próximo Mundial.

Uma Copa cada vez mais americana

Logo no início do episódio, Uchôa chama atenção para o peso dos Estados Unidos na organização da competição. Apesar de ser oficialmente disputada entre EUA, Canadá e México, a distribuição das partidas mostra um desequilíbrio claro: serão 78 jogos em território americano, contra apenas 13 no México e 13 no Canadá.

Segundo o jornalista, isso ajuda a explicar o interesse da FIFA em consolidar o futebol como produto definitivo no mercado norte-americano.

“A FIFA acha que são alguns mercados que têm que ser conquistados definitivamente, e o mais cobiçado deles é os Estados Unidos”, afirma.

O episódio lembra que essa tentativa não é nova. Em 1970, houve o esforço de popularizar o esporte levando Pelé para atuar no futebol americano. Em 1994, os EUA sediaram o principal torneio do futebol pela primeira vez. Agora, com a expansão da liga local e o crescimento econômico do esporte no país, a FIFA volta a apostar no mercado americano como peça central do futuro da modalidade.

Ao mesmo tempo, Uchôa aponta um contraste cultural importante: apesar do crescimento recente do esporte no país, os Estados Unidos ainda não possuem a tradição futebolística presente em outras partes do mundo.

Mais seleções, mais jogos e mais dinheiro

Outro ponto importante do episódio é a ampliação da disputa para 48 seleções. A mudança é analisada sob dois lados: por um lado, amplia a participação de países que nunca estiveram no torneio; por outro, levanta dúvidas sobre o nível técnico da competição.

“Esporte tem a ver com competição, não é simplesmente participar”, observa Uchôa.

A análise sugere que o novo formato atende também a interesses econômicos da FIFA, ampliando número de partidas, audiência e faturamento.

Segundo o jornalista, há ainda um desconforto crescente em torno dos custos do evento, com ingressos caros, hospedagens elevadas e forte presença comercial ligada ao torneio.

Um Brasil cercado por dúvidas

Ao entrar na análise da Seleção Brasileira, o episódio assume um tom bastante crítico. Uchôa afirma que o time ainda não conseguiu apresentar um padrão claro de jogo e que os testes feitos até agora não criaram uma estrutura sólida.

“Ele não fez nenhum jogo que você possa dizer: ‘esse time está muito bem, esse time jogou bem”, afirma, ao comentar o trabalho de Carlo Ancelotti.

Segundo a análise, um dos principais problemas foi justamente a falta de definição de uma base titular. Para Uchôa, a equipe chega sem entrosamento e sem identidade tática.

A estreia brasileira será contra o Marrocos, apontado como o adversário mais difícil do grupo C. O jornalista lembra que a seleção africana vem de campanhas fortes recentes e possui uma geração consolidada no futebol europeu.

Laterais, meio-campo e ataque: os problemas da Seleção

O episódio dedica boa parte da discussão aos problemas técnicos da equipe brasileira. Um dos pontos mais destacados é a dificuldade nas laterais, posição historicamente associada a grandes nomes do futebol brasileiro.

Segundo Uchôa, desde Daniel Alves e Marcelo o Brasil não conseguiu encontrar jogadores capazes de manter o mesmo nível de criatividade pelos lados do campo.

Outra crítica importante envolve o meio-campo. O jornalista questiona o modelo com apenas dois jogadores centrais, algo que considera insuficiente para enfrentar seleções mais fortes.

“É muito estranho jogar assim porque quando você pega um time bom é no meio de campo que a coisa rola”, afirma.

A análise também aponta problemas ofensivos. Além da indefinição sobre quem será o centroavante titular, Uchôa questiona o uso de muitos atacantes sem capacidade de marcação, o que acaba desequilibrando a equipe defensivamente.

Vinícius Júnior, Neymar e a falta de protagonismo

O episódio também discute o rendimento individual de jogadores considerados decisivos para a Seleção.

Sobre Vinícius Júnior, Uchôa reconhece o sucesso do atacante no Real Madrid, mas destaca que esse desempenho ainda não se refletiu na equipe brasileira.

“Claro que a gente pode torcer para que ele finalmente seja na Seleção o jogador que ele é no Real Madrid, mas até agora o fato é que ele não foi”, afirma.

O jornalista lembra que, apesar do protagonismo na Europa, Vinícius possui números modestos pela equipe nacional, especialmente considerando o papel que ocupa dentro do elenco.

Já em relação a Neymar, Uchôa diz ter mudado de opinião sobre uma possível convocação. Se antes acreditava que o jogador ainda poderia ser útil em momentos específicos, hoje considera que o impacto extracampo pesa mais do que o rendimento esportivo.

“Ele é uma sombra do que foi”, afirma. “Qualidade técnica ninguém vai negar, mas ele não é mais um atleta.”

As lições dos fracassos brasileiros

A parte final do episódio revisita decisões históricas que, segundo Uchôa, ajudaram o Brasil a desperdiçar títulos ao longo das décadas.

Entre os exemplos citados estão a ausência de Leônidas na semifinal de 1938, a desorganização emocional da Seleção em 1950, o excesso de improviso em 1966, os problemas políticos de 1978, a punição a Renato Gaúcho em 1986, o “quadrado mágico” de 2006 e o trauma do 7 a 1 em 2014.

Ao recuperar esses episódios, o jornalista sugere que o Brasil frequentemente fracassou mais por decisões equivocadas do que por falta de talento.

“É uma competição que a gente perdeu para a gente”, resume ao falar sobre 1950.

O hexa ainda parece distante

Ao analisar as principais seleções do mundo atualmente, Uchôa aponta Espanha e França como os times mais sólidos do cenário internacional. Argentina, Portugal e até a Colômbia também aparecem como equipes capazes de surpreender.

Já o Brasil, segundo ele, chega em um momento de enorme instabilidade.

“Eu acompanho torneios desde 1970. Eu nunca vi uma seleção brasileira tão fraca”, afirma.

Mesmo reconhecendo que o futebol permite surpresas, o episódio termina com uma avaliação marcante sobre as chances brasileiras.

“O futebol está ainda mais físico, ainda mais veloz, e eu acho que essa seleção não tem qualidade para ganhar”, conclui.

Assista ao décimo episódio de ‘Uchôa no Mundo’ na Rádio Tupi!

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