Microsoft e Uber descobriram que IA sai mais caro do que contratar gente

A promessa era clara: IA reduziria custos operacionais, substituiria tarefas repetitivas e tornaria as empresas mais eficientes. Microsoft e Uber estão descobrindo, com os próprios dados internos, que a conta não fecha assim.

Microsoft freou o próprio entusiasmo

A Microsoft começou a cancelar a maioria das licenças diretas do Claude Code, assistente de programação da Anthropic, e passou a direcionar seus engenheiros para o GitHub Copilot CLI, plataforma própria da empresa. A decisão veio depois que o uso intenso da ferramenta disparou os custos de computação a ponto de se tornarem insustentáveis internamente. Nenhum comunicado oficial explicou os números, mas os dados internos da empresa mostram que rodar agentes de IA em escala corporativa passou a custar mais do que pagar humanos para fazer o mesmo trabalho.

O paradoxo do token

Fluxos de trabalho com agentes de IA não chamam um modelo uma única vez: eles orquestram chamadas repetidas, lançam sub-agentes e percorrem etapas de raciocínio em loop. Cada uma dessas etapas consome tokens, e tokens são cobrados. Quanto mais eficiente o agente, mais tarefas ele executa; quanto mais tarefas, maior a fatura. Bryan Catanzaro, vice-presidente de deep learning aplicado da NVIDIA, disse ao Axios em abril “Para minha equipe, o custo de computação supera em muito o custo dos funcionários”.

Tokens mais caros que salários: executivo da NVIDIA revela paradoxo financeiro da IA

Uber estourou o ano em quatro meses

A Uber foi além. O CTO Praveen Neppalli Naga confirmou ao The Information em abril que a empresa já tinha consumido todo o orçamento de ferramentas de IA para programação de 2026, com o ano ainda na virada do primeiro trimestre. O detalhe que torna o caso irônico: a própria Uber havia criado rankings internos para incentivar as equipes a usar mais IA, premiando times pelo volume de uso. O custo por engenheiro com APIs chegou a variar entre US$ 500 e US$ 2.000 por mês. 

Projeção do Gartner

Os preços por token devem cair quase 90% até 2030, segundo projeção da Gartner. Parece alívio, mas ão é. A empresa de análise de mercado alerta que modelos agênticos consomem muito mais tokens por tarefa do que modelos padrão, e que a queda nos preços unitários será absorvida pelo aumento exponencial no consumo.

A Goldman Sachs projeta crescimento de 24 vezes no consumo de tokens até 2030, chegando a 120 quadrilhões de tokens por mês. Um estudo do MIT já havia apontado, com dados de 2024, que automação por IA só se justifica economicamente em 23% das funções que dependem de tarefas visuais. Nos outros 77%, o humano sai mais barato.

Leia mais

Sorocaba
Prefeitura otimiza fluxo de atendimento na UPH Oeste
Variedades
Palco Petrobras transforma Rio das Ostras em polo musical
Variedades
CNJ aprova contracheque único para juízes de todo país
Política
Lula diz que Brasil seria melhor sem mentiras e alerta para uso da IA
Economia
INSS pagará salário-maternidade em até 30 dias
Tecnologia
Gainward RTX 5060 Ghost com 23% de desconto: a placa de vídeo que cabe no seu setup e no seu orçamento

Mais lidas hoje