Governo vai monitorar presença de agrotóxico em bacias hidrográficas

O governo federal lançou hoje (11) um painel de monitoramento de agrotóxicos nos recursos hídricos, com dados coletados nas diversas bacias hidrográficas do país, para identificar e mostrar o grau de presença desses pesticidas na vida aquática.

Entre outras informações, o painel mostra a quantidade de pontos de monitoramento distribuídos em todos os estados brasileiros, o número de agrotóxicos rastreados, percentuais de detecção e outros detalhes.

Segundo o governo federal, o objetivo é ampliar a transparência e o acesso à informação, fortalecer o debate e auxiliar na construção de políticas públicas, além de identificar riscos e orientar ações preventivas.

Durante o lançamento, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco destacou que os agrotóxicos representam um dos grandes desafios ambientais e sanitários do mundo, impactando organismos aquáticos, polinizadores, o solo e os seres humanos, especialmente quando há uso inadequado, excesso de aplicação ou persistência ambiental das substâncias.

“Esse é um tema que nós temos que trabalhar com muita responsabilidade, por que o Brasil é uma potência agrícola global, mas sabemos que, no século XXI, a competitividade e sustentabilidade não podem mais caminhar separadas. Produzir alimentos exige também proteger as águas, bioinsumos, os territórios e a saúde humana”, afirmou.
 

Brasília (DF), 11/05/2026 - Lançamento do Painel de Monitoramento de Agrotóxicos nos Recursos Hídricos reuniu o ministro do MMA, João Paulo Capobianco, a ministra do MDA, Fernanda Machiaveli, e outras autoridades. Foto: Rogério Cassimiro/MMA

Lançamento do Painel de Monitoramento de Agrotóxicos nos Recursos Hídricos, com o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, a ministra do MDA, Fernanda Machiaveli e outras autoridades – Rogério Cassimiro/MMA

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Pronara

A ferramenta foi desenvolvida no âmbito do Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara) pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), tendo como base o monitoramento realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

“Após mais de uma década de mobilização de pesquisadores, movimentos sociais, órgãos e setores comprometidos com a transição ecológica da agricultura, o Pronara recoloca o Brasil em uma trajetória estratégica para redução de risco e fortalecimento da agroecologia que deixou de ser uma coisa de bicho grilo e passou a ser uma coisa amplamente comprovada de sucesso e de bons resultados e promoção de sistemas produtivos mais sustentáveis”, defendeu.

Capobianco disse ainda que a ferramenta está em uma fase inicial. Atualmente, 49 tipos de agrotóxicos são monitorados, mas esse número deve crescer.

O ministro afirmou que a ferramenta também traz informações sobre a representatividade agrícola, o uso predominante da terra e a vulnerabilidade ambiental das bacias hidrográficas monitoradas. 

“É importante destacar que estamos diante de iniciativa ainda em fase inicial de consolidação. O painel representa um primeiro esforço estrutural do governo federal para entregar e dar transparência aos dados nacionais de monitoramento ambiental de agrotóxicos, sua importância crescerá progressivamente à medida que ampliarmos a cobertura territorial”, disse.

Os dados iniciais do painel mostram que foram realizadas mais de 10 mil análises de agrotóxicos, com uma frequência de detecção de 7,2%. O S-Metolacloro foi o agrotóxico que mais apareceu, tendo sido observado em 69,48%.  

O ministro frisou ainda que antes do painel, o cenário era de fragmentação de informações a respeito do monitoramento de agrotóxicos e que isso dificultava a tomada de decisão por parte de gestores e agentes públicos.

“Os dados existiam, mas estavam dispersos, dificultando a análise integrada e a formulação de políticas públicas consistentes”, lembrou.

“Estamos agora oferecendo à sociedade brasileira uma plataforma pública de transparência e inteligência ambiental que permitirá acompanhar tendências, identificar riscos, orientar ações preventivas e corretivas”, ressaltou.

 

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