Dimitris Papastergiou, ministro de governança digital grego, está levando ao gabinete do primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis uma proposta que vai além de qualquer verificação de idade. A ideia é exigir que todo usuário de redes sociais vincule seu perfil a uma identidade real, rastreável pelas autoridades em caso de infração. Pseudônimos continuariam permitidos, mas o estado saberia exatamente quem está por trás de cada avatar.
“Na Grécia antiga, todo mundo podia expressar sua opinião abertamente e com seu nome, levantavam a mão e compartilhavam seu ponto de vista. Isso deveria nos inspirar”, disse Papastergiou à Euractiv.
O país votará em comícios gerais no início de 2027, e Mitsotakis já acusa a oposição de espalhar “fake news” e narrativas falsas para semear confusão no debate público. A polícia grega tentou investigar casos de assédio e difamação nas redes. No entanto, sem identificação obrigatória, Papastergiou diz que não há como cobrar quem atacou. O governo apresenta o fim do anonimato como medida para limpar o processo eleitoral.
Papastergiou acusa empresas como Meta, responsável por plataformas como Instagram e Facebook, de manter esse modelo não por princípio, mas porque perfis anônimos sustentam o inventário publicitário (quanto mais usuários, reais, falsos, duplicados, maior o alcance vendível). Quantificar exatamente quanto do tráfego nessas redes vem de contas sem identidade verificável é uma pergunta que nenhuma dessas empresas tem interesse em responder com precisão.
Pavlos Marinakis, vice-primeiro-ministro, quer ampliar a exigência para além das redes sociais, a internet de forma geral, inclusive artigos publicados online com assinatura de autor. Grupos de defesa de direitos digitais já interpretam isso como risco para denúncias anônimas.
A Grécia já havia dado um passo nessa direção ao proibir o uso de redes sociais por menores de 15 anos sem verificação de idade, medida que outros países europeus também adotaram em versões variadas. Mas eliminar o anonimato para todos é uma escala muito maior. O Regulamento de Serviços Digitais (DSA) da União Europeia não proíbe explicitamente o anonimato e uma medida unilateral grega provavelmente enfrentaria contestação antes de entrar em vigor.



