Qualquer notebook novo colocado à venda dentro da União Europeia precisa ter uma porta USB-C funcional para carregamento. A regra vem da Diretiva (UE) 2022/2380, aprovada pelo Parlamento Europeu em outubro de 2022, com 602 votos a favor e 13 contra, depois de anos de pressão sobre fabricantes que relutavam em abandonar conectores proprietários. Smartphones, tablets, câmeras, fones de ouvido e consoles portáteis já estavam enquadrados desde dezembro de 2024; notebooks ganharam prazo extra justamente porque a transição era mais complexa, a potência envolvida num notebook de trabalho pesado é outra categoria.
Três requisitos concretos: presença obrigatória de porta USB-C conforme a norma EN IEC 62680-1-3:2022, suporte a USB Power Delivery sempre que o carregamento ultrapassar 15W, e um pictograma no produto e nas listagens online indicando se há carregador na caixa, se o PD é suportado e a faixa de watts. O que a diretiva não exige, e esse detalhe importa para quem usa máquina pesada, é que o USB-C seja a única entrada. Notebooks gamers e workstations podem manter a entrada DC proprietária, desde que o USB-C esteja lá e funcione.
A Lenovo já separou a linha: modelos de consumo abaixo de 100W saem da caixa sem carregador incluso; Legion e ThinkPad P acima de 100W continuam com o adaptador na embalagem. Dell, HP e Microsoft seguem a mesma lógica.
O argumento da UE para forçar essa padronização é lixo eletrônico (a estimativa circula há anos nos documentos do bloco), mas o benefício imediato é mais simples: um carregador de celular de 65W passa a ser suficiente para manter um notebook fino ligado numa reunião, sem precisar carregar cabo separado. Quem viaja com dois ou três dispositivos sente a diferença no peso da mochila antes de sentir nos relatórios de sustentabilidade.
A mudança vale para produtos novos colocados no mercado após 28 de abril. Estoque fabricado antes da data pode continuar sendo vendido, o que significa que a transição real nas prateleiras levará algum tempo ainda.



