Em meados de 1929, uma empresa britânica iniciou a ocupação de uma área de terra roxa no norte do Paraná, dando origem ao que se tornaria Londrina. Em menos de um século, a cidade cresceu até se tornar a segunda maior do estado, com cerca de 585 mil habitantes, abrigando um lago projetado por Burle Marx no centro e carregando até hoje o apelido de Pequena Londres.
Da colonização inglesa ao impacto do café
A história começa em 1924, quando o escocês Lord Lovat visitou a região e se impressionou com a fertilidade do solo. Após o insucesso de uma plantação de algodão, surgiu a Paraná Plantations Ltd., em Londres, que criou no Brasil a Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP). O nome Londrina foi sugerido por João Domingues Sampaio em referência à capital inglesa, reforçado pela neblina frequente que lembrava o clima londrino.
A fundação oficial ocorreu em 10 de dezembro de 1934, e nas décadas seguintes o município prosperou com o café. Nos anos 1950, a região já tinha grande participação na produção mundial e rendeu à cidade o título de Capital Mundial do Café. A Geada Negra de 1975 destruiu os cafezais, mas Londrina conseguiu se reinventar, consolidando-se como um importante centro de serviços, agronegócio diversificado e tecnologia.
Como é viver no dia a dia da Pequena Londres
Com IDH de 0,778, considerado alto pelo IBGE, Londrina oferece uma rotina equilibrada entre desenvolvimento urbano e qualidade de vida. O desenho da cidade, planejado pelo engenheiro Jorge Macedo Vieira com base no conceito de cidade-jardim britânica, explica as avenidas amplas e bem arborizadas, mesmo com a verticalização. De acordo com o Censo 2022, cerca de 96,8% das vias urbanas possuem arborização.
O custo de vida costuma ser mais acessível que o de Curitiba, especialmente em moradia e alimentação. Regiões como a Gleba Palhano concentram imóveis de alto padrão, enquanto o Jardim Shangri-Lá atrai famílias em busca de tranquilidade. Já a Zona Sul, próxima à Universidade Estadual de Londrina (UEL), reúne vida universitária ativa e boa oferta de serviços. Além disso, a cidade está entre as dez melhores do país em saneamento básico, segundo o Instituto Trata Brasil.
O vídeo do canal Vida leve com mais de 30 mil inscritos e apresenta uma jornada visual por Londrina, no Paraná, destacando por que ela é frequentemente citada como uma das melhores cidades do Brasil para se viver.
UEL, cooperativas e um mercado que não para
A Universidade Estadual de Londrina (UEL), fundada em 1970, reúne cerca de 25 mil pessoas na comunidade acadêmica e é referência em medicina, direito e agronomia. O Hospital Universitário atende pacientes de toda a região. A UTFPR e a Unifil completam a oferta de ensino superior.
A economia combina agronegócio, indústria alimentícia e comércio forte. Cooperativas gigantes como Cocamar têm sede na cidade. A ExpoLondrina, uma das maiores feiras agropecuárias do país, atraiu mais de 470 mil visitantes em sua última edição. A diversidade de imigrantes, italianos, japoneses, árabes e alemães, moldou uma gastronomia multicultural que vai do pierogi ao yakisoba sem sair do mesmo bairro.
Onde o morador passeia no fim de semana?
Londrina concentra parques, cultura e lazer ao ar livre a poucos minutos do centro.
- Lago Igapó: cartão-postal com mais de 4.500 m de extensão, revitalizado com projeto paisagístico de Roberto Burle Marx. Ciclovias, pistas de caminhada e esportes náuticos.
- Parque Arthur Thomas: 85 hectares de Mata Atlântica a 3 km do centro, com trilhas, cachoeira e o sítio da primeira usina hidrelétrica da cidade (1939).
- Museu Histórico Padre Carlos Weiss: instalado na antiga estação ferroviária, preserva a saga da colonização britânica e do ciclo do café.
- Jardim Botânico: trilhas ecológicas, lagos e arboreto com mais de 100 espécies nativas. Entrada gratuita.
- Zerão: pista de cooper de 1.050 m em formato oval, quadras poliesportivas e anfiteatro a céu aberto para 6 mil pessoas.
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Quando o clima favorece cada atividade?
O clima subtropical úmido garante estações bem definidas. A altitude de 610 metros suaviza o calor e produz a neblina matinal que lembrava os ingleses de casa.
Lago Igapó
Parque Arthur Thomas
gastronomia
ExpoLondrina
FILO
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Pequena Londres
Londrina fica a 390 km de Curitiba pela BR-376, cerca de 4h de carro. O Aeroporto Governador José Richa, a 3 km do centro, opera voos para São Paulo, Curitiba e outros destinos. De Maringá, a distância é de apenas 100 km pela BR-369. A rodoviária recebe linhas de todo o país.
A cidade que virou a página sem perder o verde
Londrina deixou para trás a dependência do café e se reinventou sem abrir mão das árvores que hoje definem sua paisagem. O que antes era área de desmate se transformou em uma das cidades mais arborizadas do país, reunindo cultura, gastronomia diversa e natureza a poucos minutos do centro, com o Lago Igapó funcionando como quintal de quase 600 mil moradores.
Caminhar ao entardecer pelas margens do Igapó é entender, na prática, por que tanta gente escolhe ficar, ou voltar para viver na chamada Pequena Londres.



