No primeiro trimestre de 2026, a Intel reportou receita de US$ 13,6 bilhões, alta de 7% na comparação com o mesmo período de 2025. A margem bruta GAAP subiu de 36,9% para 39,4%, e a margem bruta non-GAAP foi de 39,2% para 41,0%. A divisão de Data Center and AI registrou US$ 5,1 bilhões no trimestre, crescimento de 22%. Esses são os números oficiais divulgados pela empresa em 22 de abril de 2026.
Os números do trimestre
Parte da melhora de margem tem uma explicação específica, segundo o analista Ben Bajarin: a Intel obteve ganho com o que ele chamou de better yield salvage, chips de menor valor, localizados nas bordas do wafer durante o processo de fabricação, foram reclassificados e comercializados em vez de serem simplesmente subaproveitados. Bajarin não representa a Intel, e a empresa não confirmou publicamente esse mecanismo de forma detalhada. Não há, nos materiais disponíveis, documento da Intel especificando quais dies foram reaproveitados, em quais produtos, em que volume ou para quais clientes.
O que a Intel declarou
O que a empresa disse, pela voz do CEO Lip-Bu Tan, é que “a próxima onda de IA” está aumentando a demanda por CPUs, wafers e advanced packaging. O CFO David Zinsner complementou afirmando que os resultados refletem o papel crescente da CPU na era da IA e “demanda sem precedentes por silício”, com execução orientada a ampliar a oferta disponível. Essas são declarações da empresa, plausíveis diante dos números, mas sem validação independente sobre os mecanismos internos que as sustentam.
Pressão de oferta: o que há de suporte externo
O contexto de pressão de oferta tem algum respaldo fora da Intel. A Reuters havia reportado, anteriormente ao trimestre, que a empresa operava suas fábricas em capacidade total e não conseguia atender toda a demanda por chips de servidor utilizados em conjunto com aceleradores de IA em data centers. Esse cenário de restrição é consistente com a narrativa de que chips antes subaproveitados passaram a ter valor comercial. Consistência, porém, não equivale a confirmação.
A Intel afirmou que seguirá maximizando sua rede fabril para atender a demanda ao longo de 2026. Essa é uma declaração de intenção operacional — não um resultado verificado.



