Efeito da taxa das blusinhas: Correios registraram prejuízo histórico em 2025 após queda nas importações

O balanço financeiro dos Correios em 2025 revela uma crise de proporções históricas para a maior estatal de logística do Brasil. Com um prejuízo líquido recorde de R$ 8,5 bilhões, o maior desde a criação do Plano Real, e um patrimônio líquido negativo de R$ 13,1 bilhões, a empresa entrou em um estado de insolvência técnica. O rombo é o resultado de uma “tempestade perfeita”: a queda brusca nas importações aliada a um passivo judicial bilionário que não para de crescer.

O impacto da “Taxa das Blusinhas”

O fator isolado mais devastador para o caixa da estatal foi a retração de 65,6% nas encomendas internacionais. A mudança nas regras de tributação para compras de baixo valor afastou o consumidor das plataformas estrangeiras (como Shein, Shopee e AliExpress), secando a principal fonte de receita da empresa nos últimos anos. Enquanto os segmentos de mensagens e novos negócios cresceram timidamente (6,8% e 5,1%), eles foram incapazes de cobrir o buraco deixado pelo setor de encomendas, que sofre com a concorrência agressiva de empresas privadas nos grandes centros.

O “Esqueleto” Judicial: R$ 6,4 bilhões em dívidas

Não foi apenas a operação que sangrou; o balanço foi “atropelado” por decisões judiciais definitivas. O pagamento de precatórios e provisões contábeis somou R$ 6,4 bilhões, um salto de 55% em relação ao ano anterior. A maior parte desses valores refere-se a disputas trabalhistas antigas, como os adicionais de periculosidade e atividade externa (AADC). Com 29,5 mil processos ainda classificados como “perda possível”, a estatal monitora outros R$ 3,48 bilhões que podem virar dívida real a qualquer momento.

Para manter as operações mínimas e pagar fornecedores, a estatal precisou de um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União. Na prática, o Tesouro Nacional (e, por extensão, o contribuinte) assume o risco da dívida. Especialistas criticam o aporte, alegando que o dinheiro foi usado para tapar buracos de liquidez imediata em vez de modernizar a infraestrutura tecnológica. Além disso, o plano de demissão voluntária (PDV) atraiu menos de 4 mil funcionários, bem abaixo da meta de 10 mil, limitando o alívio na folha de pagamento.

Apesar do desastre financeiro, os indicadores de serviço mostram uma melhora irônica: as entregas no prazo superaram 90% e a satisfação do cliente (NPS) subiu. O desafio agora é chegar a 2027, ano em que a gestão promete retomar o lucro através de parcerias estratégicas, em um mercado onde a agilidade privada continua a sufocar a rigidez da máquina estatal.

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