A água brota do chão com tanta força que o corpo flutua sem esforço nesse “deserto molhado”. No coração do Tocantins, o Jalapão reúne dunas alaranjadas, cachoeiras esmeraldas e os únicos fervedouros do planeta, espalhados por uma área maior que Sergipe e Alagoas juntos.
O que são os fervedouros e por que só existem no Jalapão?
Fervedouros são nascentes de rios subterrâneos que brotam em poços circulares com pressão suficiente para impedir qualquer pessoa de afundar. A areia em suspensão na água dá a impressão de fundo raso, mas alguns desses poços chegam a 30 metros de profundidade. O efeito, chamado de ressurgência, ocorre porque a formação de arenito da região filtra a chuva até o lençol freático, que encontra saída em pontos específicos do cerrado.
Entre os mais visitados estão o Fervedouro Bela Vista, com água de azul intenso e 15 metros de diâmetro, e o Fervedouro do Ceiça, o primeiro a ser aberto para turistas. Cada fervedouro tem limite diário de visitantes, o que preserva a experiência e exige planejamento antecipado.
Dunas, cânions e cachoeiras para além das nascentes
O Jalapão vai muito além dos fervedouros. As Dunas do Jalapão alcançam até 30 metros de altura e foram esculpidas pelo vento a partir do arenito da Serra do Espírito Santo. O pôr do sol sobre a areia dourada é um dos cartões-postais mais fotografados do Brasil.
- Cachoeira da Velha: a maior da região, com 100 metros de largura e queda de 20 metros no Rio Novo, formando dois semicírculos.
- Cachoeira do Formiga: águas de verde esmeralda cercadas por mata nativa, com deck para mergulho e uma hidromassagem natural.
- Cânion Sussuapara: paredões de 15 metros em Ponte Alta do Tocantins, com trilha entre as rochas e banho de cascata no fim do percurso.
- Pedra Furada: monumento de arenito com arcos esculpidos pelo vento, cenário de novelas e clipes musicais.
- Prainha do Rio Novo: faixa de areia branca à margem de um rio de água potável, parada obrigatória após a Cachoeira da Velha.
O Jalapão, no extremo leste do Tocantins, é um dos destinos de ecoturismo mais impactantes do Brasil, conhecido pelos seus fervedouros únicos, dunas alaranjadas e águas de um azul irreal. O vídeo é do canal Rolê Família, que conta com quase 200 mil inscritos, e oferece um guia completo para uma expedição de 5 dias:
O ouro que nasce do cerrado e virou patrimônio nacional
O capim dourado é uma sempre-viva de hastes finas e brilho metálico que só cresce nas veredas do cerrado jalapoeiro. A técnica de costurá-lo com seda de buriti foi aprendida dos indígenas Xerente pela comunidade quilombola de Mumbuca, no município de Mateiros, por volta dos anos 1920. Hoje, a Lei 15.005/2024 reconhece esse artesanato como manifestação da cultura nacional.
Visitar o povoado Mumbuca é parte de quase todos os roteiros. Ali, as artesãs transformam o capim em bolsas, brincos, mandalas e chapéus. A colheita é regulamentada por lei e só pode acontecer entre 20 de setembro e 20 de novembro, quando as hastes estão secas e as sementes maduras.
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Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O Jalapão tem duas estações bem marcadas. A seca, de maio a setembro, oferece céu limpo e trilhas firmes. A chuvosa, de outubro a abril, deixa a vegetação mais verde e as cachoeiras com volume impressionante.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar conforme o município.
Como chegar ao deserto de águas do Tocantins?
O ponto de partida é Palmas, capital do Tocantins, que recebe voos diários de várias capitais. De lá, são cerca de 300 km até Mateiros pela TO-050 até Porto Nacional e depois pela TO-255 via Ponte Alta. Boa parte do trajeto é em estrada de terra, e veículo 4×4 é indispensável. A maioria dos viajantes contrata agências especializadas que incluem transporte, hospedagem e guia local, a opção mais prática para quem não conhece a região.
O cerrado que pulsa no meio do nada
Poucos destinos brasileiros combinam isolamento, beleza e fenômenos naturais tão raros quanto o Jalapão. Das nascentes que desafiam a física às mãos quilombolas que transformam capim em ouro, essa terra de areia e água surpreende em cada estrada de chão.
Você precisa cruzar o cerrado tocantinense e sentir o Jalapão na pele, onde flutuar sem esforço é só o começo da viagem.



