Memória RAM e NAND não ficarão mais baratas antes do segundo semestre de 2027, dizem analistas

O mercado de memória está em um dos momentos de maior pressão dos últimos anos. Durante o período do Ano Novo Chinês, os preços de módulos DDR5 para servidores, LPDDR5X para celulares e DDR4 para notebooks subiram entre 130% e 180% em relação ao trimestre anterior e, segundo a Counterpoint Research, esse não é um pico passageiro.

Os números divulgados pela firma de análise mostram exatamente onde a pressão é mais intensa: módulos RDIMM DDR5 de 64 GB para servidores ficaram 150% mais caros em um único trimestre; módulos LPDDR5X de 12 GB para dispositivos móveis subiram 130%; e os SO-DIMM DDR4 de 8 GB, usados principalmente em notebooks e considerados tecnologia mais madura, registraram a maior alta proporcional — 180%. No segmento NAND, os chips avançaram entre 130% e 150%, o que a Counterpoint classifica como crescimento sem precedente histórico recente.

Por que o déficit persiste tanto

O problema central está no desequilíbrio entre capacidade instalada e demanda. Samsung Electronics e SK hynix planejam investimentos combinados de 80 a 90 trilhões de wons (aproximadamente R$ 280 bilhões a R$ 315 bilhões, ou entre US$ 50 bilhões e US$ 60 bilhões) em expansão de fábricas — mas esse capital não se converte em produção de um dia para o outro. Fab de semicondutores levam de dois a quatro anos entre a decisão de investimento e o início de operação em escala.

O pesquisador Hwang Min-sung, da Counterpoint Research, estima que a produção total de DRAM pelos cinco principais fabricantes, Samsung, SK hynix, Micron, CXMT e Nanya, crescerá 26% neste ano, enquanto NAND avança 24%. Mesmo assim, ele é categórico: “Esse crescimento não terá impacto relevante no mercado antes do segundo semestre de 2027. O déficit de oferta não será resolvido até aproximadamente o final desse período.” Sobre 2026 especificamente, Hwang afirmou que “não existe cenário em que os preços de memória se corrijam no segundo semestre deste ano”.

O papel da memória HBM na equação

Parte da escassez de DRAM convencional tem origem direta no redirecionamento de wafers para memória de alta largura de banda (HBM), usada em aceleradores de inteligência artificial como as GPUs da Nvidia. A SK hynix deteve cerca de 60% das entregas e da receita de HBM no ano passado, mas esse percentual deve cair modestamente em 2026 — em parte porque a empresa enfrenta o desafio técnico de adaptar sua linha atual para o padrão HBM4, exigido pela Nvidia para as próximas gerações de hardware.

Nesse vácuo, a Samsung tem espaço para avançar. “Comparado ao ano passado, espera-se que a Samsung obtenha resultados melhores no mercado de HBM4 em 2026. O fator decisivo será a velocidade com que a SK hynix consegue concluir a transição do seu produto atual para o HBM4”, explicou Hwang Min-sung. Enquanto essa transição ocorre, os grandes fornecedores de nuvem, Amazon, Google, Microsoft e similares, continuam comprando memória em volumes que impedem qualquer queda de preço no curto prazo.

Riscos geopolíticos e a ameaça chinesa

A Counterpoint Research avaliou também o impacto da guerra no Oriente Médio sobre o mercado de memória e concluiu que o efeito direto é limitado. O risco mais relevante seria indireto: se o conflito prolongar uma crise energética, os custos operacionais dos centros de dados sobem, energia elétrica já responde por mais da metade das despesas operacionais dessas instalações — e isso eventualmente pressiona a demanda por chips.

O vetor de médio prazo que os analistas consideram mais significativo é a China. A CXMT, fabricante chinesa de DRAM, deve alcançar mais de 10% do mercado global até 2028. A YMTC, fabricante chinesa de NAND, já ocupa 13% do mercado. Se as sanções tecnológicas ocidentais não limitarem o avanço dessas empresas de forma mais agressiva, a entrada desse volume adicional de produção pode ser o principal fator a aliviar os preços — mas isso ainda está a dois ou três anos de distância.

Por ora, quem compra memória para montar ou atualizar servidores, notebooks ou sistemas de armazenamento está pagando preços historicamente elevados e, segundo a Counterpoint, não tem perspectiva de alívio antes de 2027.

Você também deve ler!

Muitos fabricantes de eletrônicos fecharão as portas até o final de 2026 devido à escassez de memória, prevê CEO da Phison Electronics

Leia mais

Economia
Com tensão no Irã, dólar fecha em R$ 5,32, o maior valor desde janeiro
Variedades
Adeus rosas murchas: esse cuidado simples faz as flores durarem muito mais na sua casa
Variedades
Governo reconhece situação de emergência em 30 municípios
Sorocaba
Clube de Jardinagem do Jardim Botânico de Sorocaba participa de roda de conversa sobre o universo das abelhas
Tecnologia
Oracle surpreende o mercado e garante que o “boom” da IA durará pelo menos até o final de 2027
Economia
Reajuste do diesel mostra limitações do mercado no Brasil, diz FUP

Mais lidas hoje