O mercado de hardware para computadores de mesa está passando por uma mutação silenciosa, mas profunda. Se os holofotes costumam focar-se no fato de a NVIDIA ter esmagado a concorrência e atingido o monopólio de 94% das vendas no último trimestre de 2025, um mergulho mais profundo nos dados da Jon Peddie Research (JPR) revela uma tendência muito mais preocupante para o futuro da indústria: a placa de vídeo dedicada está, lentamente, perdendo o seu lugar de direito dentro dos gabinetes.

Os números mostram que, embora o último trimestre de 2025 tenha registrado cerca de 11,5 milhões de unidades enviadas, houve uma queda sequencial de 11,5% em relação ao trimestre anterior. O dado é alarmante porque, historicamente, o quarto trimestre é sempre o mais forte devido às vendas de fim de ano.
O que está a afastando o consumidor das GPUs dedicadas (AIBs)? A resposta é uma tempestade perfeita de preços proibitivos e evolução paralela.
O avanço das Integradas e a fuga dos consumidores

O dado mais revelador do relatório da JPR é a taxa de adoção (attach rate). No final de 2025, apenas 55% dos sistemas desktop globais estavam equipados com uma placa de vídeo dedicada. Trata-se de uma queda livre de 12,3 pontos percentuais em apenas três meses.
Isso significa que quase metade dos computadores de mesa vendidos recentemente dependem exclusivamente de gráficos integrados. Durante anos, jogar ou trabalhar com o vídeo embutido no processador era sinônimo de desempenho sofrível. Hoje, a realidade é outra.
A evolução brutal das APUs da AMD e dos processadores Core Ultra da Intel entregam desempenho gráfico suficiente para rodar jogos competitivos em 1080p e lidar com edição de vídeo leve. Como as fabricantes inflacionaram absurdamente os preços das placas dedicadas de entrada e intermediárias (pressionadas pelo custo das memórias GDDR e pelas novas tarifas comerciais globais), o consumidor comum e o jogador casual simplesmente desistiram de comprar a GPU separada, migrando para processadores com gráficos fortes ou para notebooks de alto desempenho.
AMD muda o foco e o mercado encolhe
Essa mudança de comportamento do consumidor ajuda a explicar a queda livre da AMD, que derreteu para apenas 5% de participação no mercado de placas dedicadas. Ciente de que a fatia entusiasta está dominada pela arquitetura RTX da rival, a AMD optou estrategicamente por focar a sua vindoura arquitetura RDNA 4 no segmento mainstream (intermediário) e no aprimoramento absurdo dos seus gráficos integrados.
O prognóstico para o futuro não é animador para quem produz silício dedicado. A Jon Peddie Research prevê que o mercado de placas de vídeo dedicadas passará por uma retração severa nos próximos anos. A estimativa é de um crescimento anual composto negativo (CAGR) de -5,9% entre 2024 e 2028, com os analistas a alertarem para um tombo que pode chegar perto dos 10% já em 2026.



