São Jorge e Ogum: a força do sincretismo do santo guerreiro no Brasil

Neste 23 de abril, o Brasil celebra o Dia de São Jorge, uma data de forte apelo popular, especialmente no Rio de Janeiro, onde o dia é feriado estadual e o santo é oficialmente padroeiro do estado desde 2019. A devoção, no entanto, transcende o catolicismo e se une à figura de Ogum, orixá guerreiro das religiões de matriz africana, em um dos mais conhecidos exemplos de sincretismo religioso do país.

A imagem do santo católico, um cavaleiro que derrota um dragão com sua lança, representa a vitória do bem contra o mal. A história remete a um soldado do Império Romano que viveu no século 3 d.C. e que, segundo a tradição, foi martirizado por se recusar a renunciar à sua fé cristã. A figura do “santo guerreiro” rapidamente se popularizou, tornando-se um símbolo de coragem e proteção.

Do outro lado, temos Ogum, um dos orixás mais cultuados na umbanda e no candomblé. Ele é o senhor da guerra, do ferro, da tecnologia e da abertura de caminhos. É a divindade que representa a luta, a conquista e o trabalho, aquele que age com força e determinação para superar obstáculos. Sua energia está associada ao movimento e à vanguarda.

Como São Jorge se tornou Ogum?

A associação entre as duas figuras nasceu no período da escravidão no Brasil. Proibidos de praticar a própria religião, os escravizados encontraram no sincretismo uma forma de preservar sua fé. Eles associavam seus orixás aos santos católicos que possuíam características semelhantes.

A figura de São Jorge, com sua armadura, cavalo e lança, era a representação perfeita para Ogum, o orixá ferreiro e general. Ambos são guerreiros, protetores e símbolos de força indomável. Essa sobreposição permitiu que a devoção a Ogum sobrevivesse e se fortalecesse ao longo dos séculos, mesmo diante da repressão.

Hoje, as comemorações do 23 de abril refletem essa união. Devotos participam de missas e procissões católicas, como a famosa Alvorada na Igreja Matriz de Quintino, no Rio, enquanto terreiros de umbanda e candomblé realizam festas e rituais em homenagem a Ogum. É comum ver pessoas com roupas nas cores associadas aos orixás ou portando imagens e símbolos dos santos, em um mesmo ambiente de celebração.

A tradicional feijoada servida na data também é uma oferenda a Ogum, consolidando a data como um marco da diversidade e da resistência cultural e religiosa brasileira. A festa une diferentes crenças em torno de um ideal comum: a celebração da força para vencer as batalhas da vida.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

Leia mais

Tecnologia
O robô que marcou 16 aces diretos e deixou jogadores de tênis de mesa sem resposta na mesa
Variedades
Psicologia explica por que desabafar pode gerar sensação imediata de alívio emocional
Sorocaba
Fundo Social de Solidariedade tem inscrições abertas para o Casamento Comunitário 2026 até o dia 30 de abril
Variedades
Guerra no Irã leva mais de 30 milhões de volta à pobreza
Tecnologia
O que os vazamentos dizem sobre o Xbox Project Helix: chip AMD Magnus, 48 GB de GDDR7 e preço que pode ultrapassar US$ 1.000
Sorocaba
Prefeitura de Sorocaba leva Cras Móvel à Vila União na próxima quarta-feira (29)

Mais lidas hoje