Há cinco anos, a NVIDIA era, na prática, uma empresa de GPU para jogos. No segundo trimestre fiscal de 2021 (encerrado em julho de 2020), o segmento Gaming respondia por 51% de toda a receita da empresa, US$ 1,65 bilhão naquele período, enquanto Data Center ficava em 25%. Era a ordem natural das coisas desde a fundação da empresa em abril de 1993: gamers pagavam as contas da empresa que tem como cofundador Jensen Huang, que até hoje é o CEO.
Essa conta mudou de endereço, os números do quarto trimestre fiscal de 2026 (Q4 FY2026, encerrado em 25 de janeiro de 2026) deixaram isso sem espaço para interpretação: chips para data center é o que sustenta a NVIDIA.
Os números do trimestre
A receita total foi US$ 68,1 bilhões — 20% acima do trimestre anterior (US$ 57 bilhões) e 73% acima do mesmo período do ano passado. Desse total, US$ 62,3 bilhões vieram do segmento Data Center, que cobre chips para IA, infraestrutura de computação acelerada e plataformas como Blackwell e Grace Blackwell.
O segmento Gaming gerou US$ 3,7 bilhões. Caiu 13% em relação ao trimestre anterior, mas cresceu 47% frente ao mesmo período do ano passado — movimento que a própria NVIDIA explica como acomodação natural de estoque de canal após um trimestre de festas forte.
Como o Gaming perdeu o trono
Como o Gaming perdeu o trono
No Q2 fiscal de 2021 (encerrado em julho de 2020), o segmento Data Center gerou US$ 1,75 bilhão para a NVIDIA, menos que Gaming naquele mesmo período. Mas aquele ano foi o ponto de inflexão: a pandemia acelerou a demanda por computação em nuvem, e o treinamento de modelos de linguagem começou a escalar de uma forma que nenhuma GPU para jogos jamais exigiria.
O lançamento do ChatGPT em novembro de 2022 transformou a escala de demanda. Do Q4 fiscal de 2023, encerrado em janeiro de 2023, o primeiro trimestre completo após o lançamento do ChatGPT, ao Q4 fiscal de 2026, a receita de Data Center foi de US$ 3,62 bilhões para US$ 62,3 bilhões: crescimento de 1.621%. Gaming, no mesmo intervalo, foi de US$ 1,83 bilhão para US$ 3,7 bilhões.
No ano fiscal completo de 2026 (encerrado em janeiro de 2026), a divisão ficou assim:
- Data Center: US$ 193,7 bilhões
- Gaming: US$ 16 bilhões
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O gamer ainda importa para a NVIDIA?
Importa, mas não financia mais P&D. No ano fiscal de 2025 (encerrado em janeiro de 2025), a NVIDIA investiu US$ 12,91 bilhões em pesquisa e desenvolvimento, 49% a mais do que os US$ 8,67 bilhões gastos no ano anterior.
Projeção para o próximo trimestre
A NVIDIA projeta US$ 78 bilhões de receita para o Q1 fiscal de 2027 (margem de ±2%), com margem bruta de 75%. A empresa declarou explicitamente que essa projeção não inclui receita de chips para China — reflexo das restrições de exportação impostas pelo governo dos EUA sobre o H20 e derivados.
Para o ano fiscal de 2026 completo, a receita somou US$ 215,9 bilhões, alta de 65% sobre os US$ 130,5 bilhões do ano anterior. A NVIDIA devolveu US$ 41,1 bilhões aos acionistas via recompra de ações e dividendos durante o ano.
Outro ponto importante é em relação aos chips da plataforma Vera Rubin, anunciada oficialmente no CES 2026, em janeiro. Durante a apresentação dos dados do relatório financeiro, a CFO da NVIDIA, Colette Kress, confirmou que já foram enviadas as primeiras amostras de chips baseados nessa arquitetura para seus clientes.
A produção em volume está prevista para o segundo semestre de 2026.



