A GMS, empresa sediada em Dubai, solicitou uma licença dos Estados Unidos para comprar e desmantelar navios apreendidos pelo governo americano por envolvimento no comércio de petróleo venezuelano, informou o CEO da principal empresa de reciclagem de navios à Reuters.
As Forças Armadas e a Guarda Costeira dos EUA apreenderam sete embarcações nas últimas semanas em águas internacionais, que transportavam ou já transportaram petróleo venezuelano.
As apreensões fizeram parte da campanha de Washington para forçar a saída de Nicolás Maduro do poder, que culminou com a captura pelas forças americanas em 3 de janeiro.
As embarcações antigas, que fazem parte da chamada frota paralela e geralmente não possuem seguro ou certificação de segurança marítima, representam um risco de derramamento de petróleo enquanto estiverem em operação.
A GMS, que se descreve como a maior compradora mundial de navios e embarcações offshore para reciclagem, compra navios e os vende para estaleiros de desmantelamento naval, inclusive na Índia e em Bangladesh, países que abrigam as maiores indústrias de desmantelamento de navios do mundo.
O fundador e CEO Anil Sharma descreveu os navios-tanque da frota paralela como “uma bomba-relógio”, mas afirmou que, por serem autorizados, não podem ser reciclados sem uma licença.
“Espero que o governo (dos EUA) agilize esse processo”, afirmou.
A empresa também informou ter mantido conversas com o Departamento de Estado nas últimas semanas.
Embora o Departamento do Tesouro dos EUA geralmente não comente sobre pedidos de licença e correspondências relacionadas, um porta-voz em resposta disse que “para salvaguardar a segurança marítima, estão comprometidos com soluções responsáveis para retirar essas embarcações da água”.
O valor de sucata desses navios normalmente chega a dezenas de milhões de dólares, dependendo do tipo de embarcação e do peso.
O governo dos EUA entrou com pedidos judiciais para apreender dezenas de outros petroleiros ligados ao comércio de petróleo da Venezuela, disseram fontes à Reuters.
A detenção das embarcações apreendidas exige o apoio de agências do governo dos EUA, incluindo a Guarda Costeira, o que consome recursos e custos, segundo fontes do setor naval.
Em 2025, 16 petroleiros atingidos por sanções foram reciclados em estaleiros dispostos a recebê-los, contra um petroleiro em 2024 e um em 2023, mostrou a análise da GMS.



