Trajetória de Lindomar Castilho une sucessos do bolero e assassinato da esposa

O cantor e compositor Lindomar Castilho morreu neste sábado (20), aos 85 anos. A informação foi confirmada por sua filha, Lili De Grammont, nas redes sociais. A causa do óbito não foi revelada. Considerado um dos maiores ícones da música brega e romântica do Brasil, Lindomar viveu uma trajetória de extremos: foi de fenômeno de vendas na década de 1970 ao ostracismo após protagonizar um dos crimes mais chocantes da crônica policial brasileira.

A voz que rifou corações

Nascido em Goiás, Lindomar abandonou a faculdade de Direito para se dedicar à música. Sua voz potente e interpretação dramática lhe renderam a alcunha de “Rei do Bolero”. Entre o final dos anos 60 e a década de 70, ele se consolidou como um dos artistas mais populares do país, com discos lançados simultaneamente no Brasil e nos Estados Unidos.

Seu repertório era marcado por letras de amor rasgado, desilusão e cenários de boemia. Entre seus maiores sucessos estão “Eu Vou Rifar Meu Coração”, “Chamarada” e “Nós Somos Dois Sem Vergonhas”.

No entanto, foi a faixa “Você É Doida Demais” que garantiu sua permanência na memória pop recente. Originalmente um sucesso do rádio, a música foi resgatada nos anos 2000 como tema de abertura da série “Os Normais”, da TV Globo, e do filme “Domésticas”, apresentando o cantor a uma nova geração.

Crime no Café Belle Époque

A carreira de Lindomar foi brutalmente interrompida na madrugada de 30 de março de 1981. Motivado por ciúmes excessivos e inconformado com a separação, o cantor invadiu o Café Belle Époque, na capital paulista, onde sua ex-esposa, a também cantora Eliane de Grammont, se apresentava.

Armado, Lindomar disparou contra o palco, atingindo Eliane no peito. A artista, que tinha apenas 26 anos, não resistiu. O cantor também feriu o violonista Carlos Randall, seu primo, que acompanhava Eliane no show.

O julgamento de Lindomar Castilho tornou-se um marco jurídico e social no Brasil. A defesa chegou a evocar a tese da “legítima defesa da honra” — argumento jurídico arcaico utilizado para justificar feminicídios, hoje inconstitucional. Condenado a 12 anos de prisão, o caso mobilizou movimentos feministas e levantou debates acalorados sobre a violência doméstica no país.

Prisão, declínio e isolamento

Lindomar cumpriu parte da pena em regime fechado e obteve a liberdade condicional no final da década de 1980, saindo definitivamente da prisão nos anos 90. Durante o cárcere, chegou a gravar um disco intitulado “Muralhas da Solidão”.

Em 2000, tentou retomar a carreira com o lançamento do álbum “Lindomar Castilho Ao Vivo”, impulsionado pelo sucesso da trilha de “Os Normais”. Apesar de manter uma base de fãs fiéis, o estigma do crime jamais permitiu que ele recuperasse o prestígio de outrora. Nos últimos anos, Lindomar Castilho vivia de forma reclusa e longe dos holofotes.

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