No programa Good Morning America da ABC, na segunda-feira (16), Tim Cook foi direto ao ponto quando o apresentador Michael Strahan trouxe à tona os rumores sobre sua aposentadoria: “Não disse isso. Nunca disse isso. Isso é apenas um boato.” Em seguida, Cook acrescentou que entrou na Apple 28 anos atrás, que amou cada dia desde então, e encerrou com a frase que sintetiza tudo: “Não consigo imaginar a vida sem a Apple.”
A entrevista ocorre no contexto dos 50 anos da Apple e tem peso simbólico considerável. Em 2021, Cook havia declarado ao New York Times que “provavelmente não” estaria na empresa uma década depois — o que, nas contas atuais, projeta uma saída por volta de 2031. A declaração de agora não contradiz esse horizonte, mas derruba qualquer cenário de transição imediata.
De onde veio o boato

O Financial Times publicou, em novembro de 2025, que a Apple se preparava para a saída de Cook “tão cedo quanto no início de 2026”. O New York Times foi além e relatou, em janeiro deste ano, que Cook teria dito ao conselho que quer reduzir sua carga de trabalho e cogita assumir a presidência do conselho de administração. Mark Gurman, da Bloomberg, considerado o jornalista com melhor acesso interno à Apple, disse que ficaria “chocado” se Cook saísse antes de meados de 2026 e classificou os relatos anteriores como “prematuros” e “simplesmente falsos”.
Os dados financeiros reforçam a leitura de Gurman: o pacote de remuneração de Cook em 2025 foi de US$ 74,3 milhões, praticamente idêntico aos US$ 74,6 milhões de 2024, segundo registro na SEC — estabilidade que não combina com um executivo em processo formal de saída. Cook já cumpre os requisitos de aposentadoria da Apple (mínimo de 60 anos e 10 anos de serviço), mas elegibilidade não é o mesmo que intenção.
O plano B já tem nome e rosto

Independentemente do timing da saída de Cook, a Apple acelerou seu planejamento de sucessão ao longo de 2025 depois que o CEO sinalizou ao grupo de líderes seniores que se sente “cansado”. O nome que emergiu como favorito é John Ternus, 50 anos, Vice-Presidente Sênior de Engenharia de Hardware — o executivo responsável pelo iPhone, iPad, Mac, AirPods e demais produtos físicos da empresa desde que ingressou na Apple em 2001. O sinal mais concreto veio no fim do ano passado, quando Cook transferiu para Ternus a supervisão das equipes de design, movimento que Gurman descreveu como “cristalino” em indicar quem é o candidato principal.
A ascensão de Ternus não é surpresa para quem acompanha a companhia de perto. Em 2018, foi ele quem sugeriu adicionar um componente de laser caro apenas nos modelos Pro, equilibrando inovação com margem de lucro, perfil pragmático que a Apple parece querer preservar na liderança. Craig Federighi (software), Eddy Cue (serviços) e Deirdre O’Brien (varejo e RH) também foram considerados, mas Ternus “disparou na frente do pelotão”, segundo quatro pessoas próximas à empresa ouvidas pelo New York Times. Se Cook sair, o caminho mais provável é ele assumir a presidência do conselho, mantendo influência estratégica sem o dia a dia operacional.
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