O mercado global de hardware vive hoje um paradoxo: enquanto os consumidores sofrem com a falta de estoque e preços que subiram até 180%, os grandes fabricantes de memória estão “pisando no freio”. De acordo com fontes coreanas, a Samsung Electronics e a SK Hynix acreditam que o atual superciclo de alta da DRAM deve perder força já em 2028.
A cautela das gigantes asiáticas tem um motivo claro: o medo de repetir o desastre financeiro ocorrido após a pandemia de COVID-19.
O trauma do excesso de oferta
Naquela época, as fabricantes investiram pesado para suprir a demanda do home office, mas acabaram com armazéns cheios e poucos compradores quando a economia esfriou, resultando em prejuízos bilionários. Agora, embora a NVIDIA e outras gigantes da IA pressionem por mais chips, Samsung e SK Hynix resistem a abrir novas linhas de produção que demoram anos para ficar prontas.
A preocupação é que, quando as novas fábricas finalmente estiverem operacionais, o “boom” da Inteligência Artificial possa ter estabilizado, gerando um novo excedente de produtos e derrubando as margens de lucro.
Atualmente, a escassez de memória afeta tudo, de placas de vídeo a smartphones premium. Analistas apontam que a demanda por memórias de alta largura de banda (HBM) é o que mantém os preços elevados. Se o mercado de IA continuar otimista, o nível de preços atual pode se tornar o “novo normal” por um longo período.
No entanto, para a Samsung, o equilíbrio é delicado. A empresa precisa decidir se investe bilhões agora para não perder mercado para competidores chineses ou se mantém a produção controlada para garantir que os preços não despenquem no futuro próximo.
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