A Apple deu o passo mais concreto até agora em direção ao seu primeiro celular com tela dobrável: a Foxconn, principal parceira de montagem da empresa, iniciou a produção de unidades experimentais do aparelho em suas instalações na China. A informação foi divulgada pelo leaker Instant Digital, da rede social chinesa Weibo, e é consistente com a fase que, no calendário interno da Apple, precede a fabricação em massa.
Essa etapa serve para validar projeto, materiais e processo de montagem antes de qualquer escala industrial. Se os testes gerarem resultados satisfatórios, a produção em massa pode começar em julho, o que abriria caminho para o iPhone Fold ser apresentado em setembro, junto ao iPhone 18 Pro e ao iPhone 18 Pro Max. O analista Tim Long, do Barclays, afirma não esperar o produto nas prateleiras antes de dezembro, enquanto Mark Gurman, da Bloomberg, escreveu que o dobrável “certamente chegará um pouco depois dos modelos Pro”. O início da produção experimental, no entanto, sugere que a Apple ainda tenta manter o calendário do outono do hemisfério norte.
O que o aparelho deve ter
O iPhone Fold deve ter tela externa de 5,5 polegadas e tela interna de 7,76 polegadas com resolução de 2.713 × 1.920 pixels e taxa de atualização de 120 Hz. Quando aberto, as dimensões chegam a 167,6 × 120,6 mm — perto de um iPad Mini —, com espessura de 4,8 mm, 0,6 mm acima do Galaxy Z Fold 7, mas 0,8 mm abaixo do iPhone Air. O chip deve ser o A19 Pro, acompanhado de 12 GB de RAM e bateria de 6.000 mAh.
A câmera traseira dupla de 48 MP deve substituir o Face ID por um leitor de impressão digital Touch ID integrado ao botão lateral. O chassi é de titânio, a dobradiça usa vidro metálico amorfo para eliminar a marca de dobra no centro da tela — um dos principais desafios técnicos do projeto, que levou a Apple a testar vidro flexível ultrafino (UFG) em diferentes espessuras. Para os painéis, a Apple planeja adquirir cerca de 20 milhões de unidades da Samsung Display, volume acima das estimativas iniciais, que apontavam entre 13 e 15 milhões.
Preço e posição no mercado
O iPhone Fold deve chegar com preço de US$ 2.000, tornando-se o iPhone mais caro da história e posicionando-o diretamente contra o Galaxy Z Fold 7, lançado pela Samsung em julho de 2025 também a US$ 2.000. A Samsung detém hoje 64% do mercado de celulares dobráveis, crescimento de 8 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2024, impulsionado justamente pelo Z Fold 7. Entrar nesse segmento com o Fold7 como referência de preço, e não como produto de nicho ainda mais caro, sinaliza que a Apple quer fatia real de mercado — não apenas um experimento.
A Samsung ainda projetava, no início de 2026, fabricar 3,5 milhões de unidades do Z Fold 8 e entre 2,5 e 3 milhões do Z Flip 8 para o segundo semestre. O iPhone Fold com pedido de 20 milhões de painéis indica que a Apple calcula uma demanda reprimida expressiva para seu primeiro dobrável — e que a janela de setembro, se confirmada, pode ser decisiva para entrar no mercado sem deixar o campo livre para a concorrência sul-coreana por mais um ciclo.



