Replantio na soja e menos poder de compra do produtor; entenda o cenário de custos

O plantio da soja já atinge 78% da área total semeada, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Os trabalhos em campo, porém, estão atrasados na comparação com o ano passado. Outro ponto de atenção é com as áreas onde houve replantio da oleaginosa, principalmente em Mato Grosso, Goiás e em parte do Matopiba.

Para o pesquisador da área de custos agrícolas do Cepea, Mauro Osaki, é difícil prever os impactos do replantio das lavouras no bolso do agricultor. “Não é algo que é planejado e o custo do replantio depende do produtor”, explica. Mas o gasto é certo: segundo o especialista, mesmo com a lavoura recuperada, não há garantia de que haja o melhor desempenho, o que pode comprometer os custos ao fim da safra.

Com o plantio avançando em boa parte do Brasil, entretanto, Osaki aponta que as atenções se voltam para o controle de fungicidas, que segundo ele, deve começar em poucos dias. Os custos com esses produtos, porém, já estão consolidados e dentro do orçamento do produtor rural.

“Este ano está mais desafiador do que o anterior. No ano passado, nesta época, praticamente toda a área já estava plantada”, alerta. Segundo ele, esse atraso deve impactar também a segunda safra.

“A área do milho safrinha deve ficar mais apertada e o plantio tende a ser mais desuniforme. Isso traz um desafio adicional, porque a chuva pode favorecer de forma diferente cada região. O milho entra nesse cenário como uma preocupação importante para o ano que vem”, completa.

Poder de compra menor na soja

Sobre os preços da soja, que segundo Osaki passaram por um período de estagnação e também afetaram os custos, a perspectiva é de melhora. Ele explica que o cenário depende do registro de problemas climáticos no hemisfério sul, especialmente no Brasil e na Argentina, e também do desenrolar da guerra comercial entre Estados Unidos e China.

Oportunidade interessante para o milho

Para o milho, o especialista explica que as condições estão mais atreladas ao mercado doméstico e, portanto, são mais favoráveis ao produtor. De acordo com Osaki, o cenário é resultado da melhora nos contratos a termo, diante de novas plantas de etanol. “Isso melhora as cotações locais, reduz oferta para frango, suínos e ovos”, afirma.

A Conab aponta que até a última semana 59,3% das áreas semeadas com milho verão já haviam sido colhidas. Neste sentido, o pesquisador afirma que a primeira safra também representa uma oportunidade, porque “é uma oferta mais curta, pela menor proporção de área em relação à segunda safra.”

Em termos de custos de produção, Osaki reforça que apesar do cenário ser mais favorável que o da soja, o milho verão depende das condições climáticas. Nas últimas semanas, áreas do Rio Grande do Sul e do Paraná registraram chuva forte e episódios de granizo. Nesse sentido, o pesquisador alerta que os prejuízos podem aparecer no início de dezembro, quando as espigas começarem a se formar.

“De modo geral, está bem avançado. Mas, neste ano, a faixa de granizo parece ter atingido mais regiões”, complementa.

Leia mais

Variedades
PM apreende mais de 30 balões em pouco mais de um mês no Rio
Variedades
Mulher retira gatinho abandonado do lixo e salva sua vida
Variedades
Cientistas analisam 85 tubarões em ilha remota e encontram cafeína, analgésicos e até cocaína no sangue dos animais
Variedades
O motivo curioso que faz seu gato escolher sua roupa em vez da caminha dele para dormir
Variedades
Jojo Todynho revela o momento crucial para mudar de peso: “Fiquei mal”
Variedades
Virginia visita Memorial do 11 de Setembro e reclama de energia: “Saindo sangue”

Mais lidas hoje