A ideia de colocar dois chips gráficos em uma única placa não nasceu com a AMD, e nem com a NVIDIA. A 3dfx, empresa que a NVIDIA adquiriu em 2000, foi a pioneira da tecnologia que permitia combinar GPUs para multiplicar desempenho, batizada de SLI. A NVIDIA reapresentou o conceito em 2004; a então ATI respondeu um ano depois com o CrossFire. A partir daí, as duas empresas passaram a disputar também no segmento de placas com dois chips numa mesma PCB: a NVIDIA estreou esse formato com a GeForce 7950 GX2, e a AMD, já com a marca Radeon, respondeu com a HD 3870 X2, depois a HD 4870 X2, e em seguida a HD 5970, que carregou o título de placa mais rápida do mercado por um bom tempo. Em 8 de março de 2011, chegou a Radeon HD 6990: o quarto capítulo dessa estratégia, e o mais agressivo deles. Vamos relembrar esse modelo, que completou 15 anos este mês.
Duas GPUs Cayman no mesmo PCB

O projeto era direto: dois chips Cayman, os mesmos da Radeon HD 6970, fabricados pela TSMC em processo de 40 nm com arquitetura TeraScale 3, montados lado a lado em uma placa de 305 mm. Cada chip trazia 1.536 núcleos de sombreamento rodando a 830 MHz, acompanhados de 2 GB de memória GDDR5 a 5 Gbps em um barramento de 256 bits, totalizando 4 GB de VRAM e largura de banda combinada de 320 GB/s. O clock de 830 MHz era deliberadamente 50 MHz abaixo dos 880 MHz da HD 6970 individual, margem reservada para o modo turbo, que simplesmente devolvia aos chips o clock que eles já suportavam no modelo single-GPU. O nome em código da placa, Antilles ( Antilhas em português), seguia a lógica interna da AMD: dois chips Cayman (Ilhas Cayman) numa placa = o arquipélago maior que os contém.
O design de refrigeração
Para acomodar dois chips sem que um aquecesse o outro, a AMD posicionou o ventilador de 75 mm no centro da placa, com cada chip em uma extremidade e seu próprio dissipador de calor. Na HD 5970 anterior, o ar saía do primeiro chip já aquecido antes de tentar resfriar o segundo, problema estrutural que a posição central do cooler resolveu. A solução, porém, criou um efeito colateral: enquanto um lado expele o ar quente para fora do gabinete, o outro o devolve para dentro. Em gabinetes com boa ventilação, o impacto era administrável; em configurações mais fechadas, o calor residual afetava os demais componentes. A alimentação vinha de dois conectores de 8 pinos, posicionados no centro da PCB entre os dois chips, com seção de energia digital controlada por dois reguladores Volterra e memórias Hynix T2C já testadas em gerações anteriores.

O modo turbo e o preço do desempenho
Uma chave física na placa ativava o segundo BIOS: os clocks subiam de 830 MHz para 880 MHz, o consumo saltava de 375 W para até 450 W, e o ruído ia de 66,5 dB(A) para 73 dB(A). Para referência: 66,5 dB(A) é o volume aproximado de uma rua movimentada; 73 dB(A) se aproxima de uma britadeira a dez metros. Com temperatura de GPU chegando a 88 °C, havia pouca margem para reduzir a rotação do ventilador sem comprometer a estabilidade. As saídas de vídeo eram uma DVI e quatro mini-DisplayPort 1.2a. Em benchmarks do Compute Base com resolução de 2.560 × 1.600 pixels, a placa era tão rápida que o processador de teste, um Core i7-965 Extreme Edition com overclock, virava o gargalo antes dela. O preço de lançamento era de US$ 699.
A rival que não aguentou o calor
Do outro lado estava a NVIDIA GeForce GTX 590, que também apostou no design de chip duplo, mas com uma diferença fatal: seus dois chips eram derivados da GTX 580, já conhecida pelos problemas de temperatura. Para evitar que o conjunto colapsasse termicamente, a NVIDIA reduziu o clock de 772 MHz para 607 MHz, e cada chip ficou com apenas 1,5 GB de VRAM, 3 GB no total contra os 4 GB da HD 6990. O resultado foi uma placa com TDP de 365 W que, nos benchmarks de 2011, ficava entre 37% e 63% atrás da HD 6990 dependendo do título. Algumas unidades da GTX 590 simplesmente pararam de funcionar quando usuários tentaram fazer overclock manual durante o período de lançamento.
A vantagem da HD 6990 não era absoluta. Em jogos como Metro 2033 e Alien vs. Predator, a placa da AMD vencia com folga; em Crysis 2, a GTX 590 dominava. O motivo era estrutural: o ganho de desempenho dependia de os jogos serem otimizados para o CrossFire, a tecnologia da AMD para uso simultâneo de múltiplos GPUs. Quando o título não era compatível, o segundo chip ficava subutilizado, a fluidez da NVIDIA levava a melhor na percepção do jogador, e a HD 6990 ainda gerava 375 W de calor e 66,5 dB(A) de ruído sem entregar a vantagem que justificaria esses custos.
Assim como era comum na época, alguns fabricantes apostaram em modelos caprichados na parte visual, apostando em carcaças com especiais. Já falamos neste outro artigo sobre essa saudosa época, em que o cuidado nos detalhes visuais, tanto na placa quanto na caixa, faziam parte da estratégia de promover e chamar a atenção para aquele produto.



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