Quem é Nelson Tanure, alvo da PF no caso Banco Master

O empresário e investidor Nelson Tanure, de 74 anos, foi um dos principais alvos da segunda fase da operação da Polícia Federal deflagrada nesta quarta-feira (14), que investiga um suposto esquema de fraudes bilionárias no Banco Master. Conhecido no mercado financeiro por uma estratégia agressiva de aquisição e recuperação de empresas em crise, Tanure teve o celular apreendido agentes no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, quando se preparava para embarcar para Curitiba.

A ação da PF, batizada de Operação Compliance Zero, apura crimes como gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Embora não tenha sido preso, Tanure é investigado sob a suspeita de ser um controlador oculto do Banco Master — exercendo influência sem autorização do Banco Central — e de utilizar uma rede de fundos para operacionalizar as supostas fraudes. O empresário nega vínculo societário com a instituição.

Trajetória empresarial

Nascido em Salvador, em 1951, Tanure é formado em Administração de Empresas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Mudou-se ainda jovem para o Rio de Janeiro, onde construiu carreira centrada na aquisição de ativos depreciados, reestruturação societária e consolidação de companhias em segmentos diversos. Ao longo de décadas, tornou-se conhecido por combinar capital intensivo, renegociação de dívidas e mudanças de gestão.

O primeiro negócio de destaque foi a participação na Sequip, na década de 1980. Em seguida, adquiriu estaleiros em dificuldade, como o Verolme e a Emaq, que passaram por reestruturação antes de serem vendidos. Nos anos 2000, ingressou no setor de mídia, assumindo o controle do Jornal do Brasil e arrendando a Gazeta Mercantil, num período de crise estrutural da imprensa.

A atuação expandiu-se para setores como petróleo — com participação decisiva na então HRT, que daria origem à PetroRio (hoje PRIO) — e telecomunicações, onde investiu em ativos que resultariam na criação da Ligga Telecom, reunindo empresas como Copel Telecom e Sercomtel.

Nos últimos anos, Tanure passou a ter presença em empresas de energia, infraestrutura e saúde, entre elas a distribuidora Light e a Alliança Saúde, controlada por seu grupo e em processo de expansão via aquisições regionais. Também possui investimentos em companhias listadas, como Gafisa, PRIO e TIM Brasil, além do fundo Saint German, que recentemente articulou movimentos no conselho de administração do Grupo Pão de Açúcar (GPA).

Disputas societárias

A estratégia de Tanure, baseada na compra de empresas em dificuldades e na reorganização de estruturas de capital, projetou resultados relevantes, mas também atraiu controvérsias. Disputas societárias, ações judiciais e debates sobre governança passaram a acompanhá-lo ao longo da carreira, principalmente em processos envolvendo recuperação judicial, uso de crédito e reestruturação de controladoras.

Nos últimos anos, o empresário foi citado em investigações federais e discussões regulatórias. No ano passado, a Receita Federal deflagrou uma operação de grande porte contra supostos esquemas de lavagem no sistema financeiro — episódio que reacendeu questionamentos sobre a estrutura de fundos associados ao seu nome, embora ele não tenha sido formalmente acusado.

Também no fim de 2025, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) reabriu a análise sobre o prazo de uma oferta pública da Alliança Saúde, que consolidou o controle do grupo. No Ministério Público Federal (MPF), há denúncia envolvendo suposto uso de informação privilegiada na incorporação da Upcon pela Gafisa — algo que a defesa do empresário contesta, afirmando não haver irregularidades.

Perfil pessoal

Discreto e afastado de entrevistas, Tanure construiu boa parte de sua atuação em negociações empresariais e societárias, frequentemente envolvendo reestruturação de dívida. Filho de pai espanhol e mãe brasileira, tem quatro filhos e mantém interesses culturais, com passagem pela vice-presidência da Orquestra Sinfônica Brasileira.

Leia mais

Variedades
Instabilidades no Irã podem afetar mercado de fertilizantes nitrogenados
Sorocaba
Vacinados contra a febre amarela em 2018 devem receber a dose de reforço em 2026
Política
Defesa pede novamente ao STF prisão domiciliar para Bolsonaro por motivos de saúde
Variedades
Lucro do Bank of America sobe com aumento de trading em mercados voláteis
Política
Genial/Quaest: Governo Lula tem 47% de aprovação e 49% de desaprovação
Variedades
O desafio de transformar resoluções em hábitos duradouros

Mais lidas hoje