Kleber Mendonça Filho é, atualmente, um dos nomes mais influentes e respeitados do cinema brasileiro contemporâneo. Nascido em Recife, o diretor, roteirista e ex-crítico de cinema construiu uma filmografia sólida que mistura tensão social, suspense e uma estética visual rigorosa.
Sua relevância ultrapassa as fronteiras nacionais. Kleber é figura frequente nos principais festivais do mundo, como Cannes, e seus filmes são frequentemente debatidos no contexto da corrida ao Oscar, sendo repetidamente escolhidos para representar o Brasil na disputa por uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional. Entender quem é Kleber Mendonça Filho é compreender uma fase crucial da produção audiovisual de Pernambuco e do Brasil.
Biografia e início de carreira
Nascido em 1968 no Recife, Pernambuco, Kleber Mendonça Filho formou-se em Jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Antes de assumir a cadeira de diretor de longas-metragens, ele consolidou uma carreira respeitada como crítico de cinema. Escreveu para o Jornal do Commercio e manteve o site CinemaScópio, desenvolvendo um olhar analítico que mais tarde seria fundamental em sua direção.
Sua transição para a realização começou nos anos 90 com documentários e curtas-metragens experimentais. Durante esse período, ele também trabalhou como programador de cinema, gerenciando a Fundação Joaquim Nabuco. Essa bagagem cinéfila é perceptível em suas obras, que frequentemente dialogam com a história do cinema e a arquitetura urbana.
Seus primeiros curtas premiados, como A Menina do Algodão (2002), Vinil Verde (2004) e Recife Frio (2009), já demonstravam seu interesse pelo gênero fantástico, pelo terror e pela crítica social, elementos que se tornariam sua assinatura.
Filmografia comentada
A carreira de Kleber Mendonça Filho em longas-metragens é marcada por uma consistência temática e estilística. Abaixo, os principais destaques:
O Som ao Redor (2012)
O filme que projetou Kleber internacionalmente. A trama aborda a chegada de uma milícia de segurança privada em uma rua de classe média no Recife.
- Temas: Medo urbano, especulação imobiliária e as feridas do passado colonial brasileiro.
- Recepção: O jornal The New York Times incluiu o filme em sua lista dos 10 melhores filmes do ano.
Aquarius (2016)
Estrelado por Sônia Braga, o filme narra a resistência de Clara, uma jornalista aposentada que se recusa a vender seu apartamento para uma construtora que deseja demolir o prédio.
- Destaque: O filme gerou grande debate político no Brasil e foi selecionado para a competição principal do Festival de Cannes.
- Polêmica: Houve controvérsia na época sobre a não indicação do filme para representar o Brasil no Oscar, vista por muitos como retaliação política.
Bacurau (2019)
Co-dirigido com Juliano Dornelles, este longa mistura faroeste, ficção científica e thriller. A história foca em um pequeno povoado no sertão que descobre não estar mais no mapa e precisa se defender de invasores estrangeiros.
- Prêmio: Venceu o Prêmio do Júri no Festival de Cannes, um marco histórico para o cinema brasileiro.
- Estilo: É a obra mais voltada ao cinema de gênero do diretor, com cenas de ação explícita e catarse popular.
Retratos Fantasmas (2023)
Um documentário pessoal e ensaístico. Kleber revisita o centro do Recife através das salas de cinema que frequentou e que hoje estão fechadas ou transformadas.
- Foco: Memória, arquitetura e a passagem do tempo. Foi o representante oficial do Brasil na tentativa de uma vaga no Oscar 2024.
Estilo e características de direção
Para entender quem é Kleber Mendonça Filho como artista, é necessário observar os padrões em sua obra. Ele não faz apenas “cinema social”; ele utiliza a gramática do cinema de gênero (terror, suspense) para falar da sociedade.
- Uso do som: O design sonoro é um “personagem” em seus filmes, criando tensão e atmosfera (como o barulho da cidade ou o silêncio do sertão).
- Arquitetura: Prédios, casas, muros e grades são fundamentais na composição visual, simbolizando divisões de classe e isolamento.
- Zoom: O uso frequente de lentes zoom, remetendo ao cinema dos anos 70, é uma marca registrada estética.
Kleber Mendonça Filho e o Oscar
A relação do diretor com o Oscar é um tópico frequente de buscas. Embora Kleber Mendonça Filho ainda não tenha sido indicado pessoalmente à estatueta ou levado um filme à lista final de indicados, ele é o cineasta brasileiro contemporâneo com maior proximidade da Academia.
- O Som ao Redor: Foi o escolhido pelo Brasil para tentar uma vaga em 2014.
- Retratos Fantasmas: Foi o representante oficial do Brasil para o Oscar 2024.
- Campanhas: Seus filmes recebem ampla distribuição e cobertura da crítica nos Estados Unidos, o que o mantém sempre no radar das premiações internacionais.
Curiosidades
- Parceria: Kleber é casado com a produtora francesa Emilie Lesclaux, que produz todos os seus filmes através da produtora CinemaScópio.
- Formação: Diferente de muitos diretores que saíram do eixo Rio-São Paulo, Kleber fortaleceu o chamado “Cinema de Pernambuco”, descentralizando a produção audiovisual de prestígio no país.
- Júri: Em 2021, ele foi convidado para integrar o júri oficial do Festival de Cannes, uma honra reservada a poucos cineastas do mundo.
Onde assistir
A filmografia de Kleber Mendonça Filho está amplamente disponível em serviços de streaming, facilitando o acesso ao seu trabalho:
- Netflix: Aquarius e O Som ao Redor.
- Globoplay: Bacurau (disponível também no Telecine) e O Som ao Redor.
- MUBI: Frequentemente exibe os curtas-metragens e obras selecionadas do diretor.
- Aluguel Digital: A maioria dos títulos pode ser alugada na Apple TV e Amazon Prime Video.
Kleber Mendonça Filho consolidou-se não apenas como um diretor técnico e preciso, mas como um arquivista das mudanças sociais brasileiras. Sua obra serve como um documento histórico visual, registrando as tensões de classe, as mudanças urbanas e a resistência cultural do Brasil no século XXI. Seus filmes continuam a ser referência obrigatória para estudantes de cinema e cinéfilos ao redor do mundo.



