A CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., que teve sua liquidação extrajudicial decretada nesta quinta-feira (15), é a nova identidade jurídica da Reag Trust DTVM. A mudança de nome, recente, ocorreu em meio a um turbilhão de investigações que colocaram a empresa no centro de operações suspeitas no mercado financeiro nacional.
Sediada na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, na região da Faria Lima, em São Paulo, a instituição integrava o grupo Reag Investimentos, uma plataforma independente fundada em 2012 por João Carlos Mansur. Embora a CBSF em si fosse classificada no segmento S4 — indicando baixo risco sistêmico e participação inferior a 0,001% dos ativos do Sistema Financeiro Nacional (SFN) —, ela funcionava como uma engrenagem vital para a administração fiduciária e custódia de fundos do grupo.
Trajetória
A empresa foi constituída originalmente em junho de 2019, recebendo autorização do Banco Central para operar no início de 2020. Suas atividades principais envolviam a administração, custódia e escrituração de títulos e valores mobiliários.
A alteração da razão social de “Reag Trust” para “CBSF” é vista por analistas de mercado como uma tentativa de desvincular a imagem da distribuidora da marca “Reag”, que vinha sofrendo desgaste reputacional progressivo devido a operações da Polícia Federal, como a Compliance Zero e a Carbono Oculto.

João Carlos Mansur, presidente da ex-Reag Investimentos
Investigações
A liquidação extrajudicial não é um evento isolado, mas o ápice de uma crise que envolve acusações graves. A instituição é apontada pelas autoridades como peça-chave em um esquema de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro que teria conexões diretas com o Banco Master, liquidado em novembro do ano passado.
Investigações conduzidas pela PF e acompanhadas pelo Ministério Público Federal (MPF) sugerem que a estrutura da antiga Reag Trust teria sido utilizada para operacionalizar transações fraudulentas e “relâmpago” entre fundos de investimento, dificultando o rastreamento de recursos. Há, inclusive, apurações sobre a suposta utilização de fundos geridos pela casa para ocultar patrimônio ligado a organizações criminosas.

Sede do Banco Master
Liderança
A figura central por trás do grupo é João Carlos Mansur. A gestão da empresa e seus fundos chamou a atenção das autoridades regulatórias devido ao crescimento exponencial e atípico de certos ativos e à proximidade com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

