Programador de 81 anos lançou jogo 37 anos depois de abandonar o projeto

Em 1989, Colin Porch trabalhava na sequência de Head Over Heels quando a Ocean Software cancelou o projeto. A empresa migrou o foco para consoles: o NES da Nintendo dominava o mercado ocidental e o Mega Drive da SEGA acabava de chegar aos Estados Unidos. Para um jogo de computador gerar volume de vendas equivalente, a Ocean precisaria lançar versões separadas para Atari ST, Amiga, Commodore 64, ZX Spectrum e outras plataformas, cada uma com código próprio. Era mais simples e lucrativo desenvolver uma vez para um console com dezenas de milhões de usuários. O código ficou arquivado.

Décadas depois, numa reunião de ex-funcionários da Ocean, Gary Bracy, ex-chefe de Porch, perguntou o que tinha acontecido com o projeto. “Meu antigo chefe, um cara chamado Gary Bracy, me perguntou: ‘O que aconteceu com a sequência que você estava fazendo?’ Eu disse: ‘Bom, sabe, eu abandonei.’ ‘Ah, você precisa terminar.’ Ele disse: ‘Tem muita demanda por jogos retrô agora.’”

Porch, que mora em Haim Ferris, perto de Rushton, na Inglaterra, retomou o código.

O problema dos direitos dos personagens

Antes do lançamento, a Thalamus Digital,editora britânica especializada em relançamentos e jogos retrô e responsável pela publicação de Return to Blacktooth, precisou resolver quem detinha os direitos sobre os personagens Head e Heels.

Esses personagens foram criados por Jon Ritman e Bernie Drummond (e eles não estão envolvidos no novo projeto), não pela Ocean Software, que em 1987 foi apenas a publicadora do jogo original. Com o passar das décadas, fusões, falências e relicenciamentos transferiram essa propriedade intelectual para a Atari Interactive, Inc., empresa americana que hoje administra o catálogo de IPs da era Atari sem relação operacional com a fabricante original do Atari ST. Foi a Atari Interactive que licenciou formalmente os personagens à Thalamus Digital em junho de 2025. Sem essa licença, Colin Porch teria o código pronto mas não poderia usar os nomes dos personagens nem divulgar o jogo legalmente.

O que está no jogo

 

Return to Blacktooth tem mais de 300 salas distribuídas por cinco planetas. O objetivo é derrubar o Imperador Blacktooth e libertar a galáxia, a mesma premissa do original de 1987, agora expandida. Head pula e plana; Heels é rápido e empilha objetos para resolver os enigmas. As habilidades dos dois precisam ser usadas em conjunto para avançar. “O jogo é cheio de enigmas e me diverti muito criando eles. É meu raciocínio contra o do jogador”, explica Porch.

Essencialmente retrô

O arquivo de Return to Blacktooh vendido por US$ 12,99 no itch.io é uma imagem de disco no formato ADF, o padrão de disquete do Commodore Amiga, e roda de duas formas: em hardware original (um Amiga físico com pelo menos 1 MB de RAM) ou dentro de um emulador no PC, como o WinUAE no Windows ou o FS-UAE no Mac e Linux.

A versão para Atari ST segue a mesma lógica: hardware original ou emulador como o Steem Engine.

A Thalamus Digital confirmou que versões para PC, consoles modernos, Atari Jaguar, Commodore 64, ZX Spectrum e Amiga CD32 estão planejadas, mas nenhuma tem data de lançamento anunciada.

A versão digital do game está sendo vendida por US$ 12.99; cópias físicas saem no terceiro trimestre de 2026.

Quem prefere o original tem o remake Head Over Heels: Deluxe, disponível no Steam para PC e para Nintendo Switch, com visual e jogabilidade modernizado.

“Foi um trabalho feito com amor, porque eu tinha muita paixão pelo jogo desde o começo.“, diz Porch.

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