Presidente da Qualcomm afirma que aplicativos para smartphones serão substituídos por agentes de inteligência artificial

O CEO Qualcomm, o brasileiro Cristiano Amon, declarou que os agentes de inteligência artificial vão assumir a função principal das aplicações móveis nos ecossistemas de hardware. Em entrevista à emissora CNBC, o executivo informou que a empresa trabalha no desenvolvimento de chips para mais de 40 formatos de novos dispositivos portáteis integrados com sistemas de processamento local para assistentes autônomos.

O catálogo de projetos em andamento abrange joias conectadas, fones de ouvido com sensores ópticos, broches de fixação corporal e relógios inteligentes de monitoramento contínuo. A arquitetura desses produtos visa a captação do ambiente do usuário para manter o acesso aos modelos de linguagem sem a necessidade de acionamento manual. De acordo com o executivo, o papel dos softwares tradicionais passará por modificações estruturais, transformando os agentes autônomos na interface padrão para a execução de tarefas complexas e simultâneas em diferentes serviços digitais.

“O telefone estará sempre por perto do agente. As novas classes de dispositivos também estarão por perto do agente. E será o agente quem entenderá as intenções humanas e agirá de acordo”, afirmou Amon.

A descentralização do smartphone e a projeção para o mercado de óculos inteligentes

A consolidação dos assistentes virtuais altera o posicionamento do telefone celular no cotidiano dos usuários. O smartphone deixa de operar como o núcleo de gerenciamento dos serviços digitais, transferindo a centralização das ações para o agente. Amon citou como exemplo prático a checagem automática de dados de transações bancárias pelo assistente diretamente na infraestrutura da instituição, eliminando as etapas de abertura do aplicativo, autenticação por biometria e busca manual pela informação por parte do correntista.

O planejamento comercial da fabricante de semicondutores direciona investimentos para o setor de óculos inteligentes. As remessas globais dessa categoria registram o volume de dezenas de milhões de unidades por ano, com projeção para atingir centenas de milhões de dispositivos nos próximos anos. Dados consolidados pela consultoria Counterpoint Research apontam que o mercado global registrou o envio de 1,26 bilhão de smartphones no ano de 2025. Empresas do setor de eletrônicos, incluindo Meta e Samsung, mantêm linhas de montagem dedicadas ao fornecimento de óculos com câmeras integradas.

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