Praias, jazz e um passado de 4 mil anos fazem deste destino no Rio de Janeiro uma surpresa única

Muito antes da chegada dos portugueses, os povos indígenas já conheciam esse pedaço do litoral fluminense como Leripe, expressão do tupi-guarani que significa “Lugar de Ostra”. Com o passar do tempo, o nome mudou, mas a identidade permaneceu viva. Hoje, Rio das Ostras, situada na Costa do Sol do Rio de Janeiro, reúne 15 praias ao longo de 28 km e ainda preserva, sob suas areias, marcas de uma antiga civilização que habitou a região há milhares de anos.

Uma vila de pescadores que virou a capital do jazz

Muito antes de se tornar conhecida como um polo cultural, a área já carregava uma longa trajetória humana. O Sambaqui da Tarioba, identificado em 1967 pelo Instituto de Arqueologia Brasileira, revela esse passado ao conservar esqueletos, enormes conchas e utensílios de pedra de comunidades que viviam entre o rio e o oceano. Inaugurado em 1998, o museu local é um dos raros exemplos no Brasil do modelo in situ, onde o visitante percorre o próprio sítio arqueológico e observa os achados exatamente no ponto em que foram descobertos.

Já na era colonial, o território fazia parte de uma sesmaria concedida aos jesuítas, que construíram o Poço de Pedras com o trabalho de pessoas escravizadas no século XVIII. Décadas depois, em 1847, Dom Pedro II passou pela pequena vila e descansou à sombra de uma figueira à beira-mar, que ainda permanece no centro da cidade. Apesar dessa história antiga, a emancipação só veio em 1992, quando o local se desmembrou de Casimiro de Abreu e se tornou município.

Quais praias visitar em 28 km de litoral?

Rio das Ostras tem opções para todos os perfis, de mar agitado para surfistas a enseadas rasas para crianças. O sol brilha pelo menos 300 dias por ano, segundo a Prefeitura de Rio das Ostras.

  • Praia de Costazul: a mais movimentada, com 2,3 km de faixa de areia, quiosques, vida noturna e o Píer de 200 m, ideal para pesca e nascer do sol.
  • Praia da Joana: enseada entre dois costões, mar azul e calmo, sombra de amendoeiras. Perfeita para famílias.
  • Praia do Remanso: cercada por rochedos que formam pequenas lagoas de água morna. A mais indicada para crianças pequenas.
  • Praia de Itapebussus: águas cristalinas com cavalos-marinhos visíveis em mergulhos rasos. Fica próxima à lagoa de mesmo nome.
  • Praia Virgem: isolada e pouco frequentada, para quem quer silêncio total diante do mar.

Rio das Ostras combina belezas naturais com uma rica vida cultural. O vídeo é do canal De fora em Juiz de Fora, com 235 mil inscritos, e detalha praias, pontos turísticos e gastronomia.

O que fazer além da areia na Costa do Sol?

A cidade surpreende por atrações que vão da arqueologia à natureza urbana, todas a poucos minutos do centro.

  • Praça da Baleia: escultura de jubarte com 20 m de comprimento, feita em bronze e latão pelo artista Roberto Sá. Ponto obrigatório para fotos.
  • Lagoa do Iriry: apelidada de “Lagoa da Coca-Cola” pela coloração escura das águas, rica em iodo. Tem mirante de 20 m de altura, trilhas e quiosques.
  • Costões Rochosos: unidade de conservação entre a Praia da Joana e a Praça da Baleia, com fauna e flora preservadas e vista do nascer do sol.
  • Figueira Centenária: a árvore que serviu de sombra para Dom Pedro II em 1847, ainda de pé no calçadão da Praia do Centro.
  • Zona rural de Cantagalo: a 15 km do centro, oferece pousadas com day use, arvorismo, trilhas, tanques de pesca e produtos da agricultura familiar.

Jazz na areia: o festival que mudou a identidade da cidade

Em 2003, o produtor Stênio Mattos convenceu a prefeitura a trocar os shows de axé por música instrumental. A primeira edição do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival já trouxe nomes como Stanley Jordan e Naná Vasconcelos. Em 20 edições, o evento acumulou mais de 1 milhão de espectadores e mais de 600 shows gratuitos em cinco palcos ao ar livre.

O festival acontece entre maio e junho. O palco principal fica na Cidade do Jazz, em Costazul. Rio das Ostras carrega o título de Capital Estadual do Jazz e Blues por força de lei estadual. A próxima edição está confirmada para junho de 2026.

Leia também: Cresceu 23% o número de brasileiros se mudando para a “Manchester Paulista” pela qualidade de vida e conforto.

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?

O litoral fluminense garante calor na maior parte do ano. As chuvas se concentram no verão, em pancadas rápidas que raramente atrapalham o dia na praia.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao “Lugar de Ostra” no litoral fluminense?

Rio das Ostras fica a 170 km do Rio de Janeiro pela BR-101, cerca de 2h30 de carro. Quem vem de Cabo Frio percorre apenas 61 km pela RJ-106. Ônibus partem diariamente da Rodoviária Novo Rio. O aeroporto mais próximo é o Santos Dumont (SDU), na capital fluminense. A cidade vizinha Macaé também tem aeroporto, a menos de 30 km.

Tire os sapatos e ouça o jazz na areia

Rio das Ostras combina o que raramente se vê junto: praias de perfis variados, arqueologia milenar, uma lagoa cor de Coca-Cola e um festival gratuito que transforma a areia em palco de jazz. A cidade cresceu sem perder o ritmo de vila, e é nesse contraste que mora o encanto.

Você precisa tirar os sapatos na areia de Costazul, subir o mirante da Lagoa do Iriry e entender por que esse pedaço da Costa do Sol merece mais do que uma passagem rápida a caminho de Búzios.

Leia mais

Variedades
Autocuidado diário com hábitos simples que podem melhorar sua aparência e bem-estar sem complicação
Variedades
Ministério da Educação inaugura sede do IFSP em Presidente Prudente
Variedades
Projeto leva tratamento gratuito a doenças negligenciadas no Amazonas
Economia
Embraer registra aumento de 22% em pedidos no primeiro trimestre
Variedades
Hábitos que aumentam o gasto de energia em casa sem perceber e fazem sua conta subir todo mês
Variedades
Programa Brasil Digital fortalece expansão da RNCP

Mais lidas hoje