A startup Pixelpaw Labs apresentou o Phase, um mouse que se separa fisicamente em dois controles independentes, e a ideia não é só curiosa, é tecnicamente bem resolvida. A união das duas metades usa ímãs e conectores pogo pin, o mesmo tipo de encaixe elétrico encontrado em acessórios de carregamento de smartwatches, garantindo contato estável sem parafusos ou travas mecânicas.
![]()
O conceito inverte o que a Nintendo fez com os Joy-Con: em vez de controles de console que viram mouse, aqui é o mouse que vira controle. A comparação não é gratuita. Os Joy-Con 2 do Switch 2 já permitem uso como mouse, mas a precisão e o conforto ergonômico limitam o uso prolongado — a Nintendo nunca projetou aquele hardware pensando em horas de navegação no desktop. O Phase, ao contrário, foi desenhado do zero com esse duplo propósito.
Mouse com 16.000 DPI e painel tátil
Em modo mouse, o Phase funciona por conexão sem fio a 2,4 GHz ou via USB-C cabeado. O sensor chega a 16.000 DPI, a Pixelpaw não divulgou o modelo exato, mas o conjunto de especificações aponta para um PixArt PMW 3389, sensor presente em mouses gamer da faixa de R$ 200 a R$ 500 no mercado brasileiro, conhecido por linearidade de rastreamento e baixo consumo energético.
O ponto mais polêmico do projeto é a ausência de scroll físico. Não há rodinha. O botão esquerdo inteiro funciona como painel tátil capacitivo, com rolagem feita por deslizamento de dedo — mecânica parecida com a do Magic Mouse da Apple. É uma escolha que divide opiniões: quem migrou do Magic Mouse ao longo dos anos sabe que a curva de adaptação existe, especialmente em navegação de documentos longos e planilhas. Para uso em jogos e consumo de conteúdo, a limitação é menor.
Controle com layout ABXY, dois joysticks e gatilhos

Separado, cada metade vira um controle independente. A metade direita traz os botões ABXY e um joystick analógico; a esquerda, joystick e D-pad direcional. Ambas têm botão de ombro e gatilho. A ergonomia lembra o Nunchuk do Nintendo Wii, mas com mais botões e sem o cabo entre as partes. A taxa de sondagem em modo gamepad é de 1.000 Hz via RF a 2,4 GHz, com Bluetooth disponível tanto no modo controle quanto no modo mouse.
O tamanho compacto das duas metades é um argumento real de portabilidade: o conjunto cabe no bolso de calça, o que nenhum controle convencional de console portátil consegue oferecer com a mesma funcionalidade de mouse completo.
Software de configuração e acessório Phasegrip em desenvolvimento
A Pixelpaw confirmou que um software de configuração está em desenvolvimento, com suporte a remapeamento de botões e ajuste de curvas de DPI. A empresa também trabalha no Phasegrip, um acessório de acoplamento que transforma os dois controles em um gamepad para smartphones — solução equivalente ao Backbone ou ao GameSir X2, mas nativa ao ecossistema Phase.
O projeto ainda não tem data de lançamento nem preço confirmado. A Pixelpaw opera como startup em estágio inicial, e o Phase foi apresentado como protótipo funcional. O histórico desse tipo de produto no mercado — entre Kickstarters promissores e entregas atrasadas — recomenda cautela antes de qualquer pré-venda. O hardware, porém, é o tipo de aposta que faz sentido: a fronteira entre PC e console portátil só tende a diminuir, e um periférico que transita entre os dois mundos sem comprometer nenhum dos dois tem espaço real no mercado.



