Durante anos, a Rockstar Games foi associada à cultura de crunch, períodos prolongados de trabalho intenso e jornadas extras que marcaram o desenvolvimento de títulos como Red Dead Redemption 2 e Grand Theft Auto V. Agora, um representante dos trabalhadores afirma que um aspecto dessa realidade começou a mudar.
O funcionário da Rockstar e sindicalista Néstor Uriarte afirmou que, pela primeira vez na história da empresa, as horas extras passaram a ser remuneradas. Segundo ele, a mudança é resultado da organização sindical dos funcionários e da pressão exercida sobre a empresa.
A declaração surge em um momento delicado para a Rockstar, enquanto centenas de desenvolvedores trabalham na reta final de Grand Theft Auto VI (GTA 6), que será lançado em novembro.
Índice
Pagamento das horas extras é tratado como uma conquista do sindicato
Uriarte afirma que a remuneração das horas extras representa uma conquista concreta obtida pelos trabalhadores após anos de mobilização.
Segundo ele, esse tipo de compensação simplesmente não existia anteriormente, mesmo durante períodos de trabalho intenso. O sindicalista também destaca que a organização coletiva passou a dar aos funcionários maior capacidade de negociação com a empresa.
A declaração reforça uma mudança importante na relação entre a Rockstar e seus empregados, embora não signifique o fim das críticas às condições de trabalho dentro do estúdio.
Sindicato continua denunciando cultura de crunch
Apesar do avanço apontado por Uriarte, o Rockstar Game Workers Union (RGWU) continua acusando a empresa de manter uma cultura de crunch. Em entrevistas concedidas recentemente ao Game Developer, integrantes do sindicato afirmaram que muitos contratos ainda facilitam jornadas prolongadas de trabalho. Segundo esses relatos, funcionários podem trabalhar semanas que chegam perto de 80 horas durante períodos críticos de desenvolvimento, além de enfrentarem falta de transparência na distribuição de bônus e preocupações relacionadas à desigualdade salarial entre homens e mulheres.
A Rockstar não confirmou essas acusações.
Reconhecimento oficial do sindicato ainda é um dos principais objetivos
A remuneração das horas extras é vista pelos representantes dos trabalhadores como apenas uma etapa.
O sindicato continua buscando o reconhecimento formal dentro das operações da Rockstar no Reino Unido, o que permitiria negociar coletivamente temas como:
- salários;
- bônus;
- carga de trabalho;
- políticas de horas extras;
- condições gerais de emprego.
Segundo Uriarte, a mobilização dos trabalhadores demonstra que mudanças consideradas improváveis anos atrás passaram a ocorrer graças à organização interna.
O histórico da Rockstar ajuda a explicar a importância da mudança
A discussão sobre jornadas excessivas acompanha a Rockstar há muitos anos.
Em 2018, antes do lançamento de Red Dead Redemption 2, declarações do então cofundador Dan Houser sobre semanas de trabalho de até 100 horas provocaram forte repercussão internacional. Posteriormente, o estúdio afirmou que aquela realidade dizia respeito apenas a um pequeno grupo de profissionais e anunciou mudanças em sua cultura interna.
Mesmo assim, relatos de crunch continuaram surgindo nos anos seguintes, especialmente durante o desenvolvimento de GTA 6. As denúncias mais recentes indicam que, embora algumas práticas tenham evoluído — como o pagamento das horas extras mencionado por Uriarte —, parte dos trabalhadores considera que ainda existem problemas estruturais relacionados à carga de trabalho e à política de remuneração.
Você também deve ler!
O que é crunch? Descubra o lado obscuro do desenvolvimento de jogos



