Papa pede que espiões italianos não difamem políticos e jornalistas

O papa Leão XIV pediu aos serviços de inteligência da Itália nesta sexta-feira (12) que evitem difamar figuras públicas e jornalistas, afirmando que o abuso de material confidencial pode minar a democracia e a confiança pública.

O apelo foi realizado em meio a um exame minucioso das agências de segurança da Itália após os recentes escândalos de vigilância envolvendo aplicativos de monitoração e a suposta invasão de telefones de repórteres e ativistas de direitos humanos.

Ao discursar em uma cerimônia que marcou o centenário do serviço de espionagem da Itália, o pontífice elogiou seu papel na proteção da segurança nacional, inclusive no Vaticano, mas enfatizou que ele deve ser guiado pela lei e pela ética.

“É necessário monitorar rigorosamente para que as informações confidenciais não sejam usadas para intimidar, manipular, chantagear ou desacreditar políticos, jornalistas ou outros atores da sociedade civil”, afirmou Leão.

Ele também disse que os espiões devem permanecer vigilantes contra “as tentações às quais um trabalho como o seu os expõe”.

Telefones de membros de ONGs hackeados

O Parlamento italiano revelou neste ano que o governo havia usado aplicativos de monitoração de fabricação israelense para hackear os telefones de várias pessoas, incluindo Luca Casarini e Giuseppe Caccia, fundadores da Mediterranea Saving Humans, uma ONG que tenta proteger os refugiados que atravessam o Mediterrâneo.

O antecessor de Leão, papa Francisco, endossou o trabalho da ONG e mantinha contato regular com Casarini.

O papa Leão ressaltou a necessidade de salvaguardas legais e éticas à medida que o trabalho de inteligência se torna mais complexo na era digital, pedindo vigilância contra notícias falsas e manipulação online.

“Certifique-se de que suas ações sejam sempre proporcionais ao bem comum”, disse ele, acrescentando que elas devem garantir os direitos das pessoas, incluindo a liberdade de consciência.

Ele também revelou que igrejas em vários países foram vítimas de serviços de inteligência “que agem para fins impróprios, oprimindo sua liberdade”, mas não deu detalhes.

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