A OpenAI deu o passo mais concreto até agora para reduzir sua dependência da NVIDIA e verticalizar a produção de hardware. Uma nova patente revelada pela empresa descreve a arquitetura de um chip de inteligência artificial customizado que utiliza pontes de interconexão similares ao silício EMIB (Embedded Multi-Die Interconnect Bridge) da Intel. O design foca na integração de múltiplas camadas de memória HBM (High Bandwidth Memory) diretamente ao redor do núcleo de processamento, visando eliminar os gargalos de transferência de dados que limitam o treinamento de modelos de larga escala.
A arquitetura de pontes e o empilhamento HBM
O projeto da OpenAI detalha o uso de pontes de silício para conectar o chip principal (die) aos módulos de memória HBM3 ou HBM4. Diferente dos métodos tradicionais que utilizam um interpositor de silício grande e caro ocupando toda a base do chip, a solução patenteada utiliza pequenas pontes embutidas no substrato. Essa técnica reduz a latência e o consumo de energia, permitindo que a memória e os núcleos de processamento troquem informações com larguras de banda massivas, fundamentais para o funcionamento de modelos como o GPT-5 e Sora.

O papel da Intel e da TSMC na produção
Embora a patente mencione tecnologias que remetem ao ecossistema da Intel, a OpenAI mantém negociações com a TSMC para a fabricação física dos componentes. A estratégia é utilizar o processo de 1,6 nanômetro (A16) da fundição taiwanesa, previsto para entrar em produção em 2026. A patente sinaliza que a OpenAI não quer apenas projetar o silício, mas controlar a forma como os chiplets são empilhados, garantindo que o hardware seja otimizado especificamente para as cargas de trabalho de inferência e treinamento de redes neurais, algo que chips de uso geral, como as GPUs, não conseguem entregar com a mesma eficiência.
Soberania de hardware e custos computacionais
O movimento ocorre em um momento em que Sam Altman busca levantar investimentos para criar uma rede global de fábricas de semicondutores. Ao registrar patentes de design de chips, a OpenAI sinaliza ao mercado que pretende ditar as especificações do hardware que consome. O objetivo final é reduzir o custo computacional, que hoje representa a maior fatia das despesas da empresa, e garantir que a evolução da inteligência artificial não fique refém da capacidade de entrega ou dos preços impostos por fornecedores terceiros.



