O que a psicologia explica sobre quem se cobra mais do que deveria

Em muitas situações do dia a dia, algumas pessoas sentem que nunca fizeram o suficiente, mesmo quando cumprem prazos, entregam bons resultados ou recebem reconhecimento. Essa tendência de se cobrar demais costuma vir acompanhada de autocrítica intensa, medo de errar e dificuldade para reconhecer conquistas. A psicologia analisa esse comportamento como resultado de uma combinação de fatores emocionais, cognitivos e de experiências de vida, que moldam a forma como o indivíduo se enxerga e interpreta o próprio desempenho.

O que significa se cobrar mais do que deveria?

A psicologia descreve a autoexigência excessiva como um padrão de pensamento e comportamento em que o indivíduo se avalia com critérios rígidos, tem pouca tolerância ao erro e tende a focar mais no que falta do que naquilo que já conquistou. Em muitos casos, esse funcionamento está associado a crenças internas do tipo “só tem valor quem acerta sempre” ou “errar significa fracassar”, que costumam se formar ao longo da infância e adolescência.

De acordo com abordagens como a terapia cognitivo-comportamental, quem se cobra demais costuma ter um diálogo interno marcado por frases como “poderia ter feito melhor”, “não foi bom o suficiente” ou “qualquer um faria isso”. Esse padrão de pensamento alimenta sentimentos de culpa, vergonha e ansiedade, e a pessoa passa a relacionar o próprio valor ao desempenho, criando uma espécie de régua interna que nunca está satisfeita.

Quais são as principais causas da autoexigência exagerada?

O excesso de cobrança interna não surge do nada e costuma estar ligado a um conjunto de experiências e significados que a pessoa aprendeu a atribuir a si mesma e aos resultados que entrega. Em um contexto mais amplo, a psicologia também aponta o papel de fatores culturais, como ambientes competitivos, comparações constantes e o ideal de produtividade sem descanso.

Entre os fatores mais discutidos na psicologia, destacam-se experiências precoces, padrões familiares e contextos sociais que reforçam a ideia de que “nunca é o bastante”. Abaixo estão alguns exemplos de situações que podem contribuir para o desenvolvimento da autoexigência:

  • Educação rígida ou crítica: crescer em ambientes em que o erro é punido, ridicularizado ou sempre corrigido de forma dura pode levar à visão de que o acerto é obrigação e o fracasso é intolerável.
  • Busca constante por aprovação: receber carinho, atenção ou reconhecimento apenas quando se destaca reforça a crença de que o valor pessoal depende de desempenho impecável.
  • Perfeccionismo: padrões perfeccionistas fazem com que qualquer detalhe “fora do ideal” seja visto como falha grave, mesmo quando o resultado é bom.
  • Comparações frequentes: comparar-se demais com colegas, familiares ou referências em redes sociais aumenta a sensação de estar sempre aquém do esperado.
  • Experiências de crítica ou humilhação: comentários depreciativos sobre capacidades, aparência ou inteligência podem deixar marcas profundas na autoestima.

Quais são os prejuízos da autoexigência em excesso?

Do ponto de vista psicológico, a autoexigência moderada pode favorecer organização, disciplina e responsabilidade. O problema surge quando o padrão se torna extremo, gerando sofrimento, cansaço emocional, dificuldade de descanso genuíno e sensação de que nada é suficiente, mesmo diante de resultados positivos e reconhecimento externo.

Em longo prazo, quem se cobra demais pode apresentar sintomas como irritabilidade, insônia, esgotamento emocional e maior vulnerabilidade a quadros de ansiedade e depressão. A seguir, alguns impactos frequentemente observados em estudos e na prática clínica:

Se cobrar mais do que deveria pode estar ligado ao perfeccionismo e à necessidade constante de aprovação. A psicologia explica como essa autocobrança excessiva pode gerar ansiedade e esgotamento emocional.

Neste vídeo do canal Augusto Cury, com mais de 1,4 milhão de inscritos e cerca de 321 mil de visualizações, esse comportamento é analisado de forma clara e reflexiva:

Como a psicologia ajuda a lidar com a autoexigência exagerada?

O trabalho psicológico com pessoas que se cobram mais do que deveriam costuma envolver a identificação de crenças rígidas, a compreensão da origem dessas ideias e o desenvolvimento de formas mais flexíveis de se avaliar. Em terapia, a pessoa aprende a diferenciar responsabilidade saudável de perfeccionismo paralisante, reconhecendo limites humanos e circunstâncias fora de controle.

Algumas estratégias frequentemente utilizadas incluem a reestruturação de pensamentos automáticos, o fortalecimento da autoestima e o treino de autocompaixão, para que o indivíduo passe a se tratar com mais respeito e menos dureza. A psicologia entende que a mudança não ocorre de um dia para o outro, mas que pequenas escolhas cotidianas podem, com o tempo, construir uma relação mais equilibrada com o próprio desempenho.

  • Reestruturação de pensamentos: questionar a veracidade de frases internas como “preciso acertar sempre” e substituí-las por interpretações mais realistas e equilibradas.
  • Trabalho com autocompaixão: aprender a falar consigo mesmo como falaria com alguém querido em situação semelhante, reduzindo a autocrítica destrutiva.
  • Definição de metas alcançáveis: estabelecer objetivos graduais, que considerem o contexto, o tempo disponível e os recursos reais.
  • Exposição ao erro: propor pequenas experiências em que a pessoa se permita falhar ou não controlar tudo, percebendo que o mundo não desmorona por isso.
  • Fortalecimento da autoestima: valorizar qualidades, histórias de superação e capacidades já demonstradas, para que a identidade não fique apoiada apenas em resultados recentes.

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