O PS2 foi o último console da Sony a ter um botão para desativar os analógicos, e o motivo para isso é fascinante

Se você cresceu jogando em um PlayStation 2, certamente se lembra daquele pequeno botão localizado exatamente no meio dos dois analógicos do DualShock 2. Ao ser pressionado, ele acendia uma luz LED vermelha. Mas, se você é como a maioria dos jogadores da época, provavelmente só apertava o botão por hábito — ou porque o jogo parava de responder quando a luz estava apagada.

Após mais de duas décadas do lançamento do console mais vendido da história, muitos fãs ainda debatem em fóruns como o Reddit: afinal, por que a Sony colocou um botão dedicado para ativar algo que já deveria ser o padrão?

O herdeiro de uma era de transição

Para entender o botão “Analog”, precisamos voltar ao final dos anos 90. O primeiro controle do PlayStation 1 não tinha analógicos, apenas o direcional digital (D-Pad). Quando a Sony lançou o Dual Analog Controller e, pouco depois, o primeiro DualShock, os desenvolvedores ainda estavam aprendendo a trabalhar com o espaço em 3D.

O botão foi introduzido para dar ao usuário o poder de escolha: “quero jogar como antigamente (digital) ou com a nova precisão (analógico)?”

O antecessor esquecido

Antes do DualShock, existiu um controle que poucos lembram: o Dual Analog Controller (SCPH-1150 no Japão, SCPH-1180 nos EUA). Ele foi exibido pela primeira vez na PlayStation Expo 96–97, em novembro de 1996, e lançado no Japão em 25 de abril de 1997, já trazendo os dois analógicos e, com eles, o botão “Analog” pela primeira vez. O controle durou poucos meses no mercado antes de ser substituído pelo DualShock, lançado em novembro do mesmo ano no Japão.

Curiosamente, a versão japonesa do Dual Analog já suportava vibração, mas a versão ocidental foi lançada sem o recurso. Um porta-voz da Sony justificou na época: “Avaliamos todas as características e decidimos, por razões de produção, que a mais importante para os jogadores era a função analógica.”

O homem por trás do controle

Ele é o responsável pelo design do PS1, PS2 e PS3 (incluindo o controle bumerangue)

O design de toda essa família de controles, do original do PS1 ao DualShock 2, saiu das mãos de Teiyu Goto, designer da Sony que trabalhou nos três primeiros PlayStations. Goto precisou de um aliado poderoso para manter o formato com grips laterais que conhecemos hoje: o próprio presidente da Sony, Norio Ohga.

Em reuniões internas, parte da equipe insistia em um controle mais plano e simples. Goto relembrou a reação de Ohga: “Mostraram a Ohga o controle flat de novo e disseram que era o que queriam, mas Ohga quase jogou o modelo de volta neles.” Ohga, que era piloto, defendia os analógicos com convicção. Segundo o Digital Game Museum, ele disse a Goto: “O controle analógico é a parte mais importante de qualquer jogo”, e os grips, que imitavam a empunhadura de um manche de avião, ficaram.

A ponte para o passado

Quando o PS2 chegou em 2000, ele trouxe uma função que o tornou imbatível: a retrocompatibilidade com quase toda a biblioteca do PS1. E é aqui que o botão “Analog” se tornava vital.

Muitos jogos do PlayStation 1 foram desenvolvidos entre 1994 e 1997, antes mesmo da existência dos analógicos. Esses títulos foram programados para reconhecer apenas sinais digitais do D-Pad. Se o controle estivesse enviando sinais analógicos, o jogo simplesmente os ignorava, tornando o personagem irresponsivo. Ao apertar o botão e “apagar a luz”, o DualShock 2 passava a se comportar exatamente como o controle original de 1994, mapeando os movimentos apenas para o D-Pad.

Inútil para alguns, essencial para outros

Para quem só jogava títulos nativos de PS2, como God of War ou GTA San Andreas, o botão era virtualmente ignorável, esses games exigiam os analógicos ativos por padrão. Mas havia um caso emblemático no lado do PS1 que ilustra perfeitamente a importância do botão: Ape Escape (1999).

Ape Escape foi o primeiro e único jogo do PS1 a exigir obrigatoriamente o DualShock para funcionar. Sem os analógicos ativos, ou seja, sem aquela luzinha vermelha acesa, o jogo exibia um aviso de ausência de DualShock e simplesmente não deixava o jogador se mover. Para quem jogava Ape Escape num PS2, apertar o botão “Analog” não era opcional: era o pré-requisito para jogar.

O fim de uma era

O DualShock 2 foi o ápice dessa evolução, e o último a ostentar esse recurso. Com o lançamento do PS3 e do DualShock 3, a Sony removeu o botão “Analog”, substituindo-o pelo botão “PS” (Home). A tecnologia de software já era capaz de detectar automaticamente o tipo de sinal necessário para cada jogo, tornando a alternância manual desnecessária.

Aquele clique físico na luzinha vermelha virou apenas uma relíquia charmosa do passado. 

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Vídeo de 2000 mostra como foi o início das vendas do PS2 nos EUA; assista aqui

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