O lugar de “infinitas águas e infinitas árvores” encanta com ilhas vulcânicas e praias entre as mais belas do planeta

Águas de azul impossível e falésias cobertas de verde recebem quem desembarca em Fernando de Noronha. O arquipélago de Pernambuco, formado por 21 ilhas vulcânicas, reúne praias premiadas internacionalmente, golfinhos que aparecem todos os dias e uma história que começa antes mesmo das capitanias do continente.

Da prisão ao paraíso: cinco séculos em 21 ilhas

O navegador Américo Vespúcio avistou o arquipélago em 1503 e o descreveu como um lugar de “infinitas águas e infinitas árvores”. No ano seguinte, Dom Manuel I doou as ilhas ao comerciante Fernão de Loronha, criando a primeira capitania hereditária do Brasil. O donatário nunca ocupou o território.

Antes de virar destino turístico, Noronha funcionou como presídio entre 1737 e 1972, recebeu presos políticos do Estado Novo e serviu de base militar na Segunda Guerra Mundial. A virada veio em 1988, quando 70% do território foi declarado Parque Nacional Marinho. Em 2001, a UNESCO reconheceu o arquipélago como Patrimônio Natural da Humanidade.

Quais praias visitar em Fernando de Noronha?

A ilha principal se divide em dois lados: o Mar de Dentro, voltado para o continente brasileiro, com águas calmas entre abril e outubro, e o Mar de Fora, voltado para a África, com ondas mais fortes e praias dentro do Parque Nacional. O sol nasce por volta das 6h e se põe às 18h, o que rende dias inteiros de praia sem sombra de morro no fim da tarde.

  • Baía do Sancho: eleita cinco vezes a melhor praia do mundo pelo TripAdvisor. Acesso por escadaria entre fendas rochosas, com cerca de 200 degraus. Ideal para mergulho livre em águas verde-esmeralda.
  • Baía dos Porcos: pequena faixa de areia com vista frontal para o Morro Dois Irmãos. Na maré baixa, piscinas naturais se formam entre as rochas vulcânicas.
  • Praia do Leão: principal ponto de desova da tartaruga-verde entre dezembro e maio. Bancadas de recife aparecem na maré baixa.
  • Praia da Cacimba do Padre: faixa larga com ondas consistentes de dezembro a março, palco de campeonatos de surfe.
  • Praia da Atalaia: aquário natural com acesso controlado por trilha guiada e limite diário de visitantes. Flutuação obrigatória com colete e snorkel.

Fernando de Noronha é o destino dos sonhos. O vídeo é do canal Vou Levar Na Viagem, com mais de 35 mil inscritos, e detalha um roteiro de 5 dias com taxas, passeios e preços atualizados:

Golfinhos que giram no ar toda manhã

A Baía dos Golfinhos é considerada o ponto de observação mais regular de golfinhos rotadores em todo o planeta. Os animais entram na baía ao alvorecer e podem ser vistos do mirante, sem necessidade de descer à praia, já que o banho é proibido para proteger a colônia. O espetáculo de saltos e giros acontece em cerca de 95% dos dias do ano.

Noronha também abriga mais de 230 espécies de peixes, 15 espécies de corais, tubarões de recife e tartarugas marinhas. O Projeto Tamar, com base no bairro do Boldró, monitora a desova e realiza palestras noturnas abertas ao público.

Onde comer no arquipélago pernambucano?

A gastronomia de Noronha gira em torno de peixes e frutos do mar frescos, pescados de forma artesanal fora dos limites do Parque Nacional. Os preços acompanham o custo insular, já que quase tudo chega do continente por navio ou avião. A dica é priorizar pratos com ingredientes regionais nordestinos.

  • Cacimba Bistrô: na Vila dos Remédios, combina culinária regional com toques internacionais. O camarão com banana ao curry é um dos mais pedidos.
  • Xica da Silva: há mais de 13 anos na ilha, serve moqueca de peixe e camarão que atende dois. Fica na Floresta Nova.
  • Varanda: na Vila do Trinta, com carne de sol, peixe na crosta de castanha e caipirinhas com frutas locais.
  • Mergulhão: vista para o Porto de Santo Antônio, boa pedida para drinks ao pôr do sol.

Leia também: Onde o nome da cidade significa “vento bom” e a medicina avançada encontra a qualidade de vida perfeita.

Quando ir a Fernando de Noronha?

O clima é tropical oceânico, com temperaturas estáveis o ano inteiro. A escolha do período depende da atividade: mergulho pede época seca, surfe pede swell.

surfe na Cacimba
Desova no Leão
trilhas e mar calmo
máxima visibilidade

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao arquipélago saindo do continente?

Voos diretos partem do Recife (1h10) e de Natal (1h), operados pela Azul e pela Gol. Ao desembarcar, o visitante paga a Taxa de Preservação Ambiental (TPA), proporcional ao número de dias na ilha. O ingresso do Parque Nacional Marinho é cobrado à parte e vale por dez dias. Na ilha, a locomoção é feita por buggy, ônibus (a cada 30 minutos) ou pela BR-363, a menor rodovia federal do país, com apenas 7 km de extensão.

Um pedaço de oceano que merece cada centavo

Fernando de Noronha cobra caro para ser visitada, controla cada trilha e limita o número de pessoas nas praias. Em troca, entrega um ecossistema marinho raro, praias sem barracas e o privilégio de dividir o mar com golfinhos que giram no ar antes de mergulhar de volta ao azul.

Você precisa pisar nesse arquipélago ao menos uma vez e entender por que Vespúcio, há cinco séculos, chamou Noronha de paraíso.

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