“O celular vai mudar, mas não será substituído”: CEO da Honor explica por que a IA é a nova revolução do hardware

Para Laurance Li, veterano da indústria e atual CEO da Honor Espanha, o smartphone está passando por sua transformação mais radical desde a chegada do 4G. Em uma entrevista ao Xataka, Li destaca que, embora novos dispositivos como óculos inteligentes ganhem espaço, o celular continuará sendo o “hub” central da nossa vida digital. No entanto, o hardware que teremos nas mãos em 2026 enfrentará desafios que não víamos há duas décadas.

O maior desafio atual não é apenas criar o software de IA, mas fabricar o hardware para rodá-lo. Li confirma o que analistas de mercado já temiam: a proliferação massiva de centros de dados para IA está drenando o estoque global de componentes, especialmente de memórias RAM.

“Este é o maior desafio nos últimos 20 anos para a indústria”, afirma o executivo. O impacto será sentido diretamente no bolso: como o custo da memória subiu drasticamente, os smartphones de entrada devem encarecer ou desaparecer, forçando marcas como a Honor a focar quase exclusivamente nos segmentos médio e premium, onde a margem permite absorver essa alta sem assustar o consumidor.

Além do vidro plano: dobráveis e robôs

A Honor quer liderar a transição para os dobráveis, acreditando que o formato finalmente atingiu a maturidade técnica. O novo Honor Magic V6 é o exemplo dessa meta: um dispositivo tão fino que, quando fechado, nem parece um dobrável.

Mas a grande surpresa de 2026 é o Honor Robot Phone. Com uma câmera que se move e “reage” ao usuário, o objetivo é humanizar a interação. Para a Honor, o futuro não é apenas digitar em uma tela, mas ter um dispositivo que “te olha” e responde com emoção, transformando o hardware em um assistente pessoal ativo, e não apenas um terminal passivo.

O ataque ao ecossistema da maçã

Um ponto curioso da estratégia da Honor para crescer na Europa é a “ponte” com a Apple. Li reconhece que muitos usuários de iPhone querem experimentar novos formatos, como os dobráveis, mas se sentem presos ao ecossistema. Por isso, a marca investiu pesado em compatibilidade, permitindo que o iPhone e os dispositivos Honor trabalhem juntos de forma mais fluida. “Quero fazê-los mudar de ideia, mas passo a passo”, diz Li.

Com um crescimento de 18% na Europa em 2025, a Honor se posiciona como a quarta maior força do continente, apostando que a próxima grande revolução não será a velocidade da rede (como foi o 5G), mas a capacidade do hardware de entender e prever o que o usuário precisa através da IA.

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