O Nubank não fez demissões em massa por causa da inteligência artificial e não pretende fazê-las. Quem afirmou isso foi Ellen Kiss, diretora do Centro de Excelência em Design da fintech, durante um painel com jornalistas no Config 2026, evento produzido pelo Figma nos Estados Unidos.
A declaração vai na contramão do que se ouve nos principais eventos de tecnologia e inovação do país, onde, segundo relatos de fontes do setor, lideranças de grandes empresas brasileiras já pressionam gestores para cortar profissionais juniores.
Mesma cadeira, novo critério de seleção

A postura do Nubank não é de indiferença à IA, mas de adaptação sem ruptura. Kiss explicou que o banco manteve o ritmo de contratações já estabelecido, com uma mudança relevante no filtro de seleção: passou a priorizar candidatos com conhecimento ou ao menos algum nível de exposição às ferramentas de inteligência artificial. Segundo a executiva, esse critério se tornou um fator determinante no processo seletivo. O movimento está alinhado com o adotado recentemente pela GM, que também reorientou contratações em torno de perfis com fluência em IA.
O Nubank foi pioneiro na digitalização de serviços financeiros no Brasil, mas nos últimos anos viu os bancões tradicionais avançarem com força no mesmo terreno. Manter equipes qualificadas e atualizadas não é apenas uma questão de eficiência operacional, é uma necessidade estratégica para quem disputa mercado num setor que aprende rápido.
O NuDS e o Figma como espinha dorsal do design

No mesmo painel, o Nubank revelou detalhes do seu design system, o NuDS, construído sobre o Figma. A estrutura reúne mais de 100 componentes reutilizáveis e sustenta cerca de 320 mil linhas de código, sendo usada para padronizar e tornar mais acessíveis as telas do aplicativo para os mais de 118 milhões de clientes da fintech no Brasil, no México e na Colômbia. Mais de 200 designers trabalham com a ferramenta nos três países.
Apesar de apresentar o NuDS num evento da Figma, Kiss fez questão de deixar claro que a abordagem do banco em relação à IA é “agnóstica”: além do Figma, a empresa utiliza outras ferramentas de mercado, como o Cursor. Nenhuma plataforma tem exclusividade no stack de design da fintech.
Fonte: Tecnoblog
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