MP denuncia tenente da PM preso por manter ex-esposa em cárcere privado

O tenente da Polícia Militar, Hildegardo Freitas da Silva, de 50 anos, preso por manter a ex-esposa, portadora de Alzheimer em estágio avançado, em cárcere privado e sob condições sub-humanas, foi denunciado pelo MPRR (Ministério Público de Roraima), nessa segunda-feira (18).

Segundo o MPRR, o tenente é acusado de violência doméstica, violência psicológica, tortura e cárcere privado praticados contra a ex-companheira, uma advogada, de 55 anos.

O caso passou a ser investigado após uma denúncia anônima enviada à Policia Civil. Durante ação que levou à prisão do homem, na última quinta-feira (14), a vítima foi encontrada em situação de privação de alimentos e higiene pessoal, e com sinais evidentes de tortura física.

Ela era mantida em ambiente inadequado e sem acesso aos medicamentos para o controle da doença. Em depoimentos, parentes da advogada também informaram que o investigado retinha dinheiro da aposentadoria da mulher para uso próprio. 

De acordo com o autor da denúncia, o promotor de Justiça, Hevandro Cerutti, o caso é delicado por envolver uma vítima com doença grave. A denúncia tramita pela Promotoria de Justiça de Defesa da Mulher. 

Investigação

As investigações iniciaram-se há quase quatro meses, após familiares relatarem o desaparecimento da advogada. As denúncias indicavam que Hildegardo, mantinha a ex-companheira isolada e sem cuidados básicos.

Segundo a Polícia Civil de Roraima, as mensagens enviadas por ela pedindo socorro não haviam permitido sua localização, dificultando a intervenção policial.

Inicialmente, a delegada, Carolina Huppes, representou por mandados de busca e apreensão em quatro endereços vinculados ao investigado. Posteriormente, a Polícia Civil cumpriu as ordens nos locais, mas não obteve sucesso.

Uma denúncia realizada por uma amiga da vítima, no dia 7 de agosto, e o depoimento de um familiar que reside na Paraíba, à delegada Kamilla Basto, reforçaram a situação de desaparecimento e a agressividade do suspeito.

A Polícia Militar de Roraima foi acionada, mas informou que, apesar de buscas em cinco endereços, não conseguiu localizar o policial, que também não comparecia ao serviço.

A prisão

Hildegardo Freitas da Silva foi localizado e preso no escritório de seu advogado, no bairro Cauamé, na última quinta-feira (14). Um pedido de prisão preventiva do suspeito foi feito, e deferido pela Justiça após audiência de custódia.

De acordo com a delegada Clarissa Pinheiro, durante as investigações, a Polícia Civil de Roraima localizou o sítio do suspeito, no Distrito Industrial, na cidade de Boa Vista.

No local, foram encontrados cerca de 60 animais, entre gatos e cachorros, em condições deploráveis, debilitados, magros e feridos. 

Segundo a delegada, ao tomar conhecimento da ação policial, o suspeito fez contato para se entregar e também para apresentar a vítima. A mulher apresentava múltiplos hematomas, ferimentos, sinais de desnutrição e extrema fragilidade física e emocional.

O tenente afirmou que as lesões seriam decorrentes de quedas e de momentos em que teria contido a vítima, alegando ainda que ela era agressiva. Ele relata que estava junto da ex-mulher a apenas 15 dias, e se hospedavam em hotéis por falta de mobília na chácara.

Ainda de acordo com o suspeito, a advogada havia sido despejada da casa dela devido reclamações de vizinhos sobre maus-tratos a animais. Hildegardo também conta que a ex-mulher ajudava a custear despesas, como alimentação dos animais e reparos de um carro.

O homem negou as acusações de cárcere privado e maus-tratos à vítima, atribuindo seu estado à condição de saúde e declarando que sempre a alimentou.

A advogada foi inicialmente acolhida na Casa da Mulher Brasileira, onde recebeu atendimento psicossocial, alimentação e cuidados imediatos, e, posteriormente, foi entregue a amigas próximas, que lhe ofereceram acolhimento temporário. 

Além do crime de cárcere privado, o policial militar também foi multado e autuado em flagrante por crimes de maus-tratos a animais pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente. O caso segue sendo investigado.

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